Review | The Enemy Within 2 (PC, PS4, XBox One)


Por Resident Evil 5 e 6 terem migrado para o gênero de tiro em terceira pessoa, The Evil Within foi considerado por muitos o sucessor espiritual de Resident Evil 4 em 2014. O game de horror distribuído pela Bethesda saiu da mesma mente sombria responsável pelos primeiros games de Resident Evil, Shinji Mikami, levando o protagonista Sebastian Castellanos a um pesadelo dentro da mente conturbada do vilão Ruvik, oferecendo uma grande experiência interativa de horror, mas sem explorar a história de Sebastian, que foi o principal problema corrigido em The Evil Within 2, não mais dirigido por Shinji Mikami, mas muito bem supervisionado pelo designer.


O foco de The Evil Within 2 é a traumatizante história do ex-detetive, desempregado, divorciado, deprimido e alcoólatra Sebastian, que ao descobrir que sua filha Lily está viva, precisa adentrar novamente ao STEM, uma espécie de Matrix, ou Animus se for comparado à Assassin’s Creed, criado pela corporação Mobius, onde sua antiga parceira da polícia Juli Kidman trabalha atualmente. Ligado ao STEM, Sebastian precisa descobrir o que realmente aconteceu com sua filha, além de resgatar membros da Mobius que estão presos dentro dessa realidade paralela, influenciada por mentes de vilões sinistros, como um assassino em série obcecado por arte moderna, e um líder de uma seita religiosa sombria.


Este mundo paralelo envolve a cidade de Union, que pode ser explorada durante alguns capítulos em um mapa de mundo aberto, lembrando Silent Hill, tomada de zumbis e outros monstros, que podem ser eliminados sorrateiramente com a faca, ou através de tiros, cuja munição é extremamente limitada. Os combates lembram Resident Evil 4 e principalmente The Last of Us, devido à maneira em que evitamos contato direto com os adversários. Monstros abatidos continuam deixando o gel verde, um molho cerebral repugnante usado para evoluir habilidades do protagonista, como a discrição em andar sorrateiramente, o combate, barra de vida e estamina. Peças de armas são usadas para evoluí-las ou consertá-las.


A exploração de mundo aberto se limita a alguns capítulos de The Evil Within 2, sendo que outros capítulos levam Sebastian para ambientes internos como corredores e pequenas salas, tornando o game agradavelmente linear, sem perder o foco na história rica e cheia de surpresas. Há muitas missões paralelas, que podem ser iniciadas voluntariamente, e algumas são armadilhas pregadas a quem estiver com o controle em mãos, adentrando em novos pesadelos arrepiantes, com quebra-cabeças que abusam da sanidade do jogador que precisa manter a calma para conseguir retornar à Union. Sendo itens como munição, ervas curadoras, e pólvora muito limitados, é preciso explorar todos os cantos da cidade, onde há armadilhas macabras nos locais onde pensamos ser os mais seguros e inocentes.


O visual de todos os personagens é realista e detalhado, mas muitos cenários possuem texturas lavadas e genéricas, como as paredes sem graça do interior da Medula, uma central paralela à Union dentro da STEM. Efeitos sonoros agradam muito, com armas ecoando de forma realista, além do som do sangue se espalhando. Certos efeitos usam a caixa de som do controle, caso o jogador esteja jogando no PS4. A trilha sonora consegue deixar o clima assustador, tanto em ambientes isolados quando em fugas de monstros pelas ruas da cidade, lembrando que a clássica composição Claire de Lune está novamente presente na obra, além de uma nova e sombria versão de Ordinary World da banda Duran Duran.

Após finalizar o game, a dificuldade Classic Mode é disponibilizada, elevando o nível de dificuldade a um dos melhores desafios já vistos em um game de horror.


Veredicto


The Evil Within 2 não é tão violento e sangrento quanto o primeiro título da série, optando em brincar com a sanidade do jogador, em uma experiência de horror psicológico. A história de Sebastian é detalhada, com personagens novos e veteranos ligados a um novo pesadelo do antigo detetive, e as missões paralelas não à deixa desconexa. Não é em todo capítulo em que a cidade de Union pode ser explorada, dinamizando o jogo entre missões de mundo aberto e lineares.

Nota: 9,0

Ficha Técnica
Título: The Evil Within 2
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One e PC
Produtora: Tango Gameworks
Distribuidora: Bethesda
Lançamento: 13 de outubro de 2017 
Classificação: 18 anos

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