Resenha | Enquanto eles não vêm (Robson Gundim)


Imagine um livro bom. Multiplique por 100. O resultado é: Enquanto eles não vêm. Escrito por Robson Gundim, o livro se passa no Brasil, em uma cidade fictícia chamada Paraíso Florestal, onde uma equipe da COPS foi enviada para atender um pedido de socorro, mas acabou perdendo o contato com a base.

“As luzes da cidade conferiam-lhe uma visão bonita, mas lá no fundo a multidão o conturbava. Sabia que no meio de todas aquelas vidas existia a bondade, e igual a ela, a maldade, o terror e a perdição.”

Com uma equipe desaparecida, a COPS se obriga a enviar outra equipe, e aí que entra nosso personagem principal, David. Um homem que está transtornado com a perda da esposa, e um ótimo soldado. Geralmente, David liderava a equipe, mas desta fez foi escolhido outro para liderar, e esse novo líder começa fazendo cagada assim que chegam, ele separa o grupo. Você está em uma cidade, lá nos confins do inferno, que nem no mapa se encontra, de onde veio um pedido de socorro e uma equipe especializada sumiu, e você divide a equipe. Nunca faça isso.

“Nada era mais importante do que o próprio lema; salvar vidas, estar seguro, trabalhar em equipe, e tudo isso sem falhas.”

David é deixado em um posto de comando, perto da cidade, com Lívia, a nova recruta, enquanto o restante da equipe vai até Paraíso Florestal. Na calada da noite eles são atacados por uma criatura estranha e acabam desmaiando, Lívia insiste que aquilo não era normal, já David reluta em acreditar em algo sobrenatural. Quando tentam contatar a equipe, que surpresa, ninguém responde! Juntos os dois descem para a cidade, e para o maior terror de todos.

“Com um olhar lamentoso, David reviu o posto, estranhamente sereno, e tornou a encarar a estrada. Ela parecia designá-los ao inferno.”

Quando chegam na cidade a encontram deserta, e acho que eles preferiam ter ficado assim mesmo, já que depois são atacados por umas criaturas estranhas, que parecem humanos. Os soldados foram obrigados a buscar refúgio em uma mansão, só não sabiam que estavam indo para a fonte dos seus problemas. Cercados pelos humanos não tão humanos assim, eles acabam descobrindo os segredos da mansão e da cidade, tentando encontrar uma maneira de saírem vivos dali.

“David Cordova já esteve em muitos locais silenciosos, assim como Lívia Sanches. Existia, contudo, uma singularidade que diferenciava o silencioso salão atapetado e drapejado de uma mansão abandonada, do corredor quase sem fim de um hospital psiquiátrico, ou de uma casa campestre perdida no arar do outono, cujo silêncio aprazível obtinha seiva e espírito, em vez de dor. Aquele vazio era sufocante, doloroso... Difícil de sustentar.

Enquanto lia, me senti dentro de um jogo de terror. A escrita do Robson simplesmente me cativou e dominou, ele realmente sabe escrever um bom suspense de terror. Me senti também, dentro de Resident Evil, e por ser um dos meus jogos favoritos, acabou conquistando meu coração. Então nerds, adicionem à sua eterna lista de leitura “Enquanto eles não vêm”, pois não vão se arrepender.

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