Crítica | Castlevania (Netflix)


Castlevania é uma série de games que surgiu nos anos 80. Sempre acompanharam em suas caixas: posteres, cenas dos jogos, um estilo peculiar de arte, pinturas desenhadas à mão levando uma forte identidade gótica ao estilo mangá de suas criações. Com isso a franquia cairia bem a uma série de anime, ou até um longa metragem de animação. Realizada pela Netflix, a série se passa nos acontecimentos de Castlevania III Dracula’s Curse, game lançado para NES em 1989.


Na época do game, a jogabilidade importava mais que o enredo. Contudo, foi preciso criar uma história convincente sobre a caçada da família Belmont ao Conde Dracula Tepes, que está deixando um rastro sangrento de caos e terror no Leste Europeu por vingança. A série falha ao introduzir o protagonista Trevor Belmont, sem detalhar seu passado nem explicar seu descaso com as pessoas que precisam de sua ajuda. O personagem consegue profundidade e respeito até os outros dois protagonistas serem introduzidos para então, a série terminar no quarto episódio. Os episódios são um tanto lentos e servem para apresentar os personagens e colocar o espectador no clima do mal que assola aquela pobre terra. Não são episódios fracos, há muitas atuações boas, ação e momentos dramáticos relevantes para uma série de anime desse estilo. Se sintetizassem mais conteúdo em quatro episódios de 30 minutos, certamente teria um roteiro muito vazio com personagens rasos. A última cena do quarto episódio apresenta um Trevor forte e determinado, lidando com um glorioso conflito envolvendo os outros dois protagonistas, um deles com uma entrada triunfal.

A arte visual e sonora carregam todo o estilo gótico dos games e forte teor religioso. Autoridades católicas são intimidadoras para um povo com medo de morrer queimado por acusação de bruxaria, mas os momentos com o Dracula na tela são ainda mais assustadores e a série não poupa tons de sangue para mostrar o quão cruel o vilão pode ser.

Uma nova temporada do anime já foi confirmada, mas infelizmente a primeira não passou uma boa impressão, servindo apenas para apresentar o vilão, três heróis e chegar a um fim precoce.


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