Crítica | Sense8, Segunda Temporada



A demora de quase dois anos para a sequência de Sense8 pode ter sido sufocante para os fãs, mas deixou toda equipe da série, criada e dirigida pelas irmãs Wachowski, muito bem ocupada para entregar uma temporada ainda mais afiada que a primeira. As cenas tórridas de sexo frequentes na produção não serviram apenas para sensualizar, mas para reforçar a conexão e intimidade dos sensates.


A segunda temporada apresenta novos personagens. Sensates de outros grupos que surgem para expandir a narrativa e ajudam a acrescentar ainda mais o suspense e enigmas à trama. Embora a apresentação não tenha sido aprofundada, se espera que na sequência haja o desenvolvimento da história desses personagens, justificando a presença deles na série e evitando que se tornem apenas objetos de enfeite para as cenas.


Mesmo havendo profundidade na história de caça de gato e rato entre os sensates e Sussurros, Sense8 continua apresentando as trajetórias e superações de cada um dos protagonistas, lidando com problemas sérios. Cada protagonista leva em sua vida uma bagagem de experiências envolvendo preconceito social, religioso ou sexual, além de envolvimentos com gangues criminosas e problemas machistas dentro da própria família. Em momentos de fragilidade, os personagens contam com o apoio dos parceiros ligados à distância, compartilhando habilidades e forças para se protegerem.


Os personagens são um símbolo de suas crenças e ideologias, exemplos a serem seguidos. Causas LGBT estão presentes com força através de dois personagens, se aprofundando em questões de identidade de gênero, ligadas às criadoras da obra, duas irmãs transexuais. Cenas gravadas na maior parada de orgulho LGBT do mundo em São Paulo, mostram os protagonistas unidos em celebração ao amor e à aceitação. A série também abrange pequenos grupos religiosos ameaçados por políticos de um país e corrupção. Cada personagem está à frente de suas causas, lutando pelo bem das minorias, sempre com a ajuda dos parceiros do grupo.


Sense8 é uma história de amor e amizade entre oito pessoas que poderiam facilmente se desentender devido ao choque cultural, mas possuem laços fortes, não permitindo que haja discórdia, um protegendo, cuidando e amando ao outro, como irmãos e amantes. A harmonia em que essa relação se desenrola, torna a obra leve, delicada, e agradável. 

Em vários momentos da segunda temporada, há discursos de efeito realizados pelos heróis, parecendo manjados, mas que transmitem mensagens que levamos para a vida, como quando Lito se declara para Hernando, ou quando Nomi discursa em homenagem ao casamento da irmã, passando com dignidade por cima pelo preconceito e ódio da mãe. As superações dos medos, além de serem o melhor da série, mostram como podemos seguir em frente com esperança quando temos um bom amigo ou familiar para confiar.


Sense8 está disponível na Netflix e mostra um pouco mais da vasta sabedoria de Lana e Lilly Wachowski, que já haviam revolucionado o cinema de ação com a trilogia The Matrix. Quem não assistiu à temporada anterior, garanto ser uma das séries que mais expandem a mente, ao lado de Black Mirror. Pra quem já, pode esperar para ouvir “What’s Up” do 4 Non Blondes novamente.




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