Review | Watch Dogs 2 (PS4, XBox One, PC)


O primeiro game de Watch Dogs teve um lançamento atolado em problemas, especialmente por causa de grandes promessas, tentando convencer ser um título à altura de Grand Theft Auto V. Antes fosse um genérico decente de GTA V, Watch Dogs foi um game extremamente básico, com história sem graça, personagens sem personalidade, a cidade de Chicago vazia, tornando-se um título extremamente dispensável e esquecível. Um título que tentava transmitir seriedade, mas acabou se tornando uma obra mais ou menos.


Para que a sequência se tornasse um título mais ousado, a Ubisoft precisou acrescentar uma boa dose de coragem. O protagonista é o hacker Marcus Holloway, um jovem que se diverte tirando selfies diante da desgraça alheia. O rapaz faz parte de um grupo de hackers que se escondem no porão de uma loja de quadrinhos no centro de San Francisco, grupo responsável pela Dedsec, título criado para ameaçar e impedir corporações de se aproveitarem da população americana através de redes sociais, tirando a privacidade de cada indivíduo que possui algum aparelho conectado à internet. Cada membro da Dedsec é rico em personalidade, conquistando rapidamente a simpatia do jogador, sem falar de personagens do núcleo de vilões, como um hipster rico e narcisista que cuida da barba e pratica yoga pela manhã. Os personagens podem ser um pouco clichê, mas a Ubisoft conseguiu finalmente introduzir personalidade em seus personagens, diferente dos caras de pele branca e cabelos castanhos das séries Assassin’s Creed e Far Cry.


O game se passa em San Francisco, cidade que abriga empresas como Twitter, Google e Facebook. Cada rede social da vida real está presente, com um título similar, podendo ser usadas no celular de Marcos praticamente da mesma forma que na vida real. Um aplicativo semelhante ao Spotify permite salvar todas as músicas tocadas no game, e criar listas para ouvir nos carros ou com fones.

Watch Dogs 2 continua não passando de um game genérico de GTA V, mas é um dos melhores. O mapa de San Francisco não é extremamente grande, mas é cheio de coisas para fazer, dentro ou fora das missões. Tudo no jogo gira em torno de redes sociais, e conquistas de seguidores. Em cada canto há um sujeito fazendo algo inusitado, como tocar guitarra usando uma máscara de cabra. Até mesmo nudistas podem ser encontrados pela rua. Tirar selfies nesses momentos atraem seguidores, que são cruciais na história do game para que a Dedsec seja promovida, e podem ser postadas em redes da vida real. Selfies diante de acidentes ou pessoas sendo agredidas também repercutem no jogo.


As missões se baseiam em promover a Dedsec, ameaçando e denunciando os males causados pela Blume, que obtém acesso a contas bancárias e privacidade da população. As missões paralelas são divertidas, envolvendo provocar a polícia, ou espalhar grafiti da Dedsec em outdoors. O conteúdo das missões paralelas se encaixa perfeitamente à história, tornando-a mais plausível.

A personalidade dos personagens, especialmente de Marcus, ajuda a elevar o humor do game ao máximo. Ainda no início do título, Marcus precisa roubar um carro do set de filmagem de um grande filme de ação que está sendo promovido. A trupe de hackers modifica o carro para poder ser controlado por um tablet, e então coloca-lo nas ruas de San Francisco para destruir tudo, e chamar atenção dos moradores e da polícia, por não haver um motorista, ao som de Turbo Lover da banda Judas Priest, seguindo por um caminho preparado com fogos de artifício, para finalmente destruir o carrão em uma placa com um cartaz grande do filme onde ele apareceria se não fosse roubado. Momentos como este elevam a adrenalina do jogador, e provam que este é o Watch Dogs que queríamos em 2014.


Cada aparelho pode ser hackeado, como no primeiro game, mas com muitas opções. Carros em movimento podem ser parados ou até descontrolados para que haja um acidente. Brinquedos novos estão à disposição, como um drone que permite o hackeamento de aparelhos de alturas elevadas, ou estudo de locais privados para uma invasão menos perturbada. Quebra cabeças estão mais complexos e divertidos, exigindo mais do raciocínio que em momentos de roubar carros e sair atirando em todo mundo.


Veredicto


O melhor do game está na personalidade dos personagens e das missões, deixando o título mais jovem, urbano e humorado que o título anterior. Tudo que era sem graça antes está prazeroso, com trilha sonora viciante, e figurinos muito divertidos, diálogos inteligentes, missões que aproveitam o melhor de San Francisco, que está praticamente são linda e colorida quanto na vida real. Mesmo com toda essa ousadia, a Ubisoft continua apostando no seguro, sem coragem de pensar fora da caixa. Títulos ousados como Watch Dogs 2 existem de sobra por empresas mais corajosas, e muitas vezes menores que a Ubisoft. Watch Dogs 2 não é dispensável nem esquecível, mas continua similar e inferior a GTA V.

Nota: 8,0

Ficha Técnica
Título: Watch Dogs 2
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One e PC
Produtora: Ubisoft Montreal
Distribuidora: Ubisoft

Lançamento: 15 de novembro de 2016

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