Resenha | Sandman: Prelúdio

Destino carrega o Universo.
Sandman. Um nome de peso no mercado de quadrinhos, referência de qualidade em todos os aspectos. Uma série que começou como quem não quer nada e cresceu a níveis estratosféricos. No início foi subestimado por muita gente, inclusive pelo próprio desenhista que caiu fora – provavelmente porque achou que era bom demais para um quadrinho medíocre de um autor desconhecido. Parece que o jogo virou, não?



Bem, o fato é que hoje Neil Gaiman é reconhecido, famoso por suas criações e narrativas com os perpétuos. Na verdade, também é conhecido por inúmeros outros trabalhos. Livros, quadrinhos, filmes. Suas histórias estão em todo o lugar. Gaiman adora experimentar coisas novas e ele costuma fazer o que dá na telha. Porque não continuar Sandman? Segundo o autor, ele tinha essa pequena história na manga, mas tinha medo de lançar algo novo porque as pessoas poderiam não gostar. As pessoas sempre preferem o que já é conhecido. É um território seguro, por assim dizer.

Mas ele percebeu que não deveria deixar que o medo o impedisse de escrever o roteiro de Sandman: Overture ou Sandman: Prelúdio. Para ilustrar esse roteiro, J.H. Williams III traz uma visão incrível sobre o tema. A combinação dos enquadramentos excêntricos e das cores fortes dá um ar psicodélico. E como resultado nós temos nada mais, nada menos do que uma obra de arte.


Alguma coisa está me puxando em sua direção. Arrastando-me, e é uma força que não pode ser negada.
No começo temos a clássica ameaça ao universo. Recurso conhecido muito utilizado em quadrinhos, filmes e outras produções. Em seguida, o autor começa a explorar outros ângulos e leva a narrativa a mostrar uma perspectiva muito mais interessante. Essa é uma das características que eu mais aprecio nos trabalhos de Gaiman, ele trata de temas recorrentes a partir de uma visão nova. 
E sou arrastado por metade do Universo numa fração de eternidade, tomado por uma dor que lembra a do parto...


Esse arco responde algumas questões acerca do início dos quadrinhos clássicos que todos conhecemos. Porque Morpheus estava trajado para batalha quando foi capturado? Como ele, uma criatura tão poderosa, foi capturada? Embora todas essas perguntas sejam interessantes, acho que a história é sobre muito mais do que isso e há várias coisas novas ali esperando para serem descobertas. Temos a chance de conhecer melhor os Sonhos, ou as várias facetas de Sonho. Também nos reencontramos com alguns personagens que amamos, como Coríntio.

Há diversas referências para quem já conhece a obra original, como a de Um Jogo de Você e Casa de Bonecas. Mesmo isso sendo muito legal, você não precisa ter lido nadinha para apreciar esse quadrinho.


Eu sou Sonho. E estou preparado para o que quer que me espere.
Outros detalhes nessas edições chamam a atenção. A capa dura, por exemplo, dá um grande charme. Me surpreendi positivamente quando abri a HQ e descobri que no meio da história as páginas se desdobram e abrem formando um grande poster no centro, valorizando a arte.

Se você leu meu texto até aqui, já notou que eu sou uma grande fã do autor. Apesar disso, juro que nunca indicaria nada que eu não achasse que vale a pena o seu dinheiro e tempo – aliás, tenho sim muitas críticas a muitas coisas que o Gaiman fez. Mas Sandman: Prelúdio é um quadrinho impecável, tanto na produção quanto na apresentação do conteúdo. Sim. A arte é incrível. O desenho, a finalização, as cores, o enquadramento. É mágico. É fluído. É interessante e significativo. É Sandman. Não tenho mais nada a dizer, exceto que Desejo a todos uma boa leitura.

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