Por que você deveria ler Terry Pratchett?


Quando eu era jovem, os escritores britânicos foram se mostrando devagar para mim. Comecei com Tolkien, movido pelo filme que me fascinou por ser a fonte de todas as histórias de fantasia que eu já conhecia graças ao RPG. Depois veio Gaiman, com seus deuses e temas imortais humanizados, sua potência e sua clareza.

Mais tarde, eu conheci Addams (O Guia do Mochileiro das Galáxias) e Terry Pratchett. Deste dia em diante eu entendi que a comédia britânica era algo parecido com uma cebola – ou um ogro, se você viu Shrek.


Os primeiros livros de Pratchett que eu coloquei em minhas mãos foram um grande choque na minha mente, ao contrário de Douglas Addams que usava de um narrador onisciente para destilar seu humor e uma série de situações inusitadas, ainda dentro de um sistema de regras que ele fazia questão de deixar claro, Pratchett abusava do que você achava que sabia para te levar a uma série de conclusões insuspeitas, sem parecer que ele estava tentando te ensinar algo.

A fantasia de Pratchett, seu humor, a placidez com a qual ele tratava assuntos espinhosos sem tomar partido, fazendo troça de todos os envolvidos é o que eu chamo de “comédia horizontal”. O que diabos é isso? Calma, eu explico. Diversas correntes de comédia, especialmente as de origem estadunidense, fazem o que se pode chamar de “comédia diagonal”. A graça vem de um ponto alto da piada ridicularizando a parte baixa, há uma situação de dominância na comédia, que transferido para um contexto social, gera o bullying.


Já o Pratchett, o Addams e Monty Phyton, fazem o que pode-se chamar de humor horizontal, já que ninguém é poupado. Todos os envolvidos na história são caricatos, absurdos e, ainda assim, extremamente reais.

Se você procurar nas histórias de Pratchett, achará os velhos personagens da sua vida e várias facetas de você mesmo, de forma tão exagerada que poderá entender exatamente porque você precisa mudar estes aspectos. É forte, catártico e divertido. Um excelente entretenimento.


Espero que ninguém tente traduzir seus escritos para uma série, como anda tão comum atualmente. A chance de compreenderem o que é importante em ir para as telas é minúscula.

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