Crítica | O Chamado 3


2002 foi marcado pela indústria de filmes de terror pelo lançamento de O Chamado, que mesmo sendo um remake, acabou com a monotonia de filmes de assassinos perseguindo adolescentes irritantes nos anos 90, trazendo ao ocidente refilmagens ou filmes inspirados no horror oriental. Foi um filme marcante e icônico, com uma atmosfera silenciosa, tons frios de azul e verde na fotografia, e excelente roteiro e atuação de todo elenco, muito bem dirigido por Gore Verbinski. O filme foi tão inovador, que até o mestre do horror Sam Raimi seguiu o caminho, dirigindo O Grito, remake do longa japonês Ju-On.

O Chamado 2 foi um desastre colossal, e o caminho das versões japonesas da série conseguiram chegar mais ao fundo do posso que a personagem Samara.


F. Javier Gutiérrez assina a direção de O Chamado 3 (Rings), que está bem longe da qualidade do clássico de 2002. O longa não decepciona tanto quanto o segundo mas ainda assim faz o espectador se arrepender de ter pago o ingresso do cinema. 

A protagonista é a jovem Julia (Matilda Lutz), que precisa se afastar por um tempo do namorado Holt (Alex Roe) após ele entrar para a universidade. Com o tempo, o casal acaba perdendo contato. Após dias sem conseguir notícias, Julia segue até a universidade para saber do paradeiro de Holt e acaba sendo evitada por alunos e professores, que não conseguem esconder que algo errado está acontecendo.

Não é difícil deduzir que ele está sob domínio do vídeo amaldiçoado – que mata todos quem assistem em sete dias – e que Julia também acaba assistindo-o.


Diferente do segundo filme, o roteiro está razoável e foi bem dirigido, sem falar que todos os personagens, exceto Julia, atuam bem. Efeitos visuais em computação gráfica são justos e há uma boa fotografia. A obra se arrisca em criar conceitos novos para a história, mas não consegue surpreender, nem assustar, já que a grande virada da história ocorre no final do primeiro filme. Não há muitos sustos quebrando o silêncio e quando ocorrem, não conseguem nem acordar um expectador distraído ou sonolento.

O filme inicia apresentando uma das vítimas do vídeo chegando ao momento da morte durante uma viagem de avião, causando um desastre. A cena é tão forçada que pode extrair risos de quem estiver assistindo. Ou bocejos.

Samara saindo do televisor. Jura, amiga? O momento mais chocante do filme original continua sendo reciclado como se alguém fosse ficar um pouco surpreso.


Como dito antes, O Chamado 3 tem direção e atuações boas, mas não usa noções de horror com sabedoria, apenas atirando um punhado de clichês, incluindo até crucifixos e elementos religiosos, coisas que nunca tiveram algo a ver com o universo dos filmes. Já as investigações sobre o que está acontecendo são tão rasas quanto o suspense do desenho Scooby-Doo.

Esta é uma sequência que ninguém pediu e inicia um ano que promete sequências e remakes de muitos clássicos do terror, vários deles destinados a afundar no mesmo poço. O fracasso deste filme levou ao cancelamento do novo reboot de Sexta-Feira 13.

Nota: 3,0 / 10

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