Reviewzin do Tavitin | The Shannara Chronicles


Falae Nerdbuckers!

Está na hora de mais um: Reviewzin do Tavitin! Vamos falar sobre uma série originalmente da MTV, mas que já está sendo exibida na Netflix e por causa do sucesso de audiência que teve nessa plataforma, ambas as empresas estão trabalhando juntas para para uma segunda temporada.

"The Shannara Chronicles" ou "As Crônicas de Shannara" é uma série baseada na trilogia de Terry Brooks, podendo ser encontrada como "The Original Shannara Trilogy". É uma série de contextos misturados, em um futuro apocalíptico cuja regressão tecnológica foi tão intensa que todo o cenário se apresenta como medieval/fantasia, tão adorada pelos nerds e jogadores de RPG. Sem mais delongas, vamos ao trailer:


Minha review será uma média entre todas as notas dos 6 critérios e seguirei esse padrão para futuras análises. Os critérios e as notas serão os seguintes:

Notas:

6 - O melhor, referência, inovador, barroco, diferentão, desbravador etc.
5 - Critério muito bem utilizado em uma película que captura sua identidade.
4 - Critério presente mas sub-utilizado.
3 - Critério está presente mas não convence o telespectador ou não sabe a própria identidade.
2 - Ausência parcial do critério na película ou má produção.
1 - Ausência total do critério na película.

Critérios:

1 - Efeitos especiais.
2 - Background e ambientação.
3 - Atuação de protagonistas e personagens principais.
4 - Atuação de coadjuvantes e imersão do telespectador na ambientação.
5 - Desenrolar da trama e qualidade da história.
6 - Utilização de técnicas teatrais ou de clichés cinematográficos.


O fato da série possuir referências de RPG e cultura popular chama minha atenção antes mesmo de ler qualquer coisa a respeito. Esse conteúdo que diz ser voltado para essa fração da comunidade nerd sempre trilhou águas perigosas e a chance de desagrado coletivo é grande (somos muito mais chatos do que você pensa). Admiro a coragem dos atores e produtores dessa série. Eu, pessoalmente, não teria nem tentado fazer um filme, quiçá então uma série de 10 episódios. Devo dizer que não fui desapontado, ao mesmo tempo o deslumbre ainda está distante de ser alcançado.

Tudo começa muito antes do primeiro episódio, onde a civilização que conhecemos hoje sucumbe à uma guerra nuclear que quase dizimou toda a vida do planeta. Os elfos que vivem escondidos de nós fizeram um esforço hercúleo para salvar uma arvore sagrada chamada Ellcrys (guardem esse nome). Já os humanos, se dividiram em 4 raças graças ao holocausto nuclear: humanos, trolls, anões e gnomos. Muito tempo depois, ninguém mais conhece as 'maravilhas tecnológicas' do povo antigo e todo o planeta terra se transforma em um cenário medieval, que se passa em ruínas antigas de uma sociedade como a nossa. Um aspecto muito interessante, onde conseguem incluir referências atuais para a diversão do telespectador. Diferente de um filme do Senhor dos Anéis onde referências ficam em segundo plano perante seu conto épico.


Os personagens principais são Wil Ohmsford, Eretria e Amberle Elessedil. Um meio-elfo, uma humana e uma elfa em um mundo onde os elfos, agora não mais escondidos, reinam como soberanos perante as outras raças, que os odeiam. Sua soberania se deve ao fato de que houve uma guerra para proteger a Ellcrys, que nada mais é que a Árvore da Vida, a razão pelo qual o nosso mundo não foi destruído por Demônios. Há muita tensão entre as raças, principalmente entre gnomos e elfos. Apesar das dificuldades, os três tem seus destinos cruzados logo no primeiro episódio, fechando o dilema do triângulo amoroso encontrado em incontáveis filmes e séries. Esses três personagens tomarão 80% do tempo de tela e não desapontam, os atores apesar de jovens e inexperientes foram capazes de entregar o que lhes foi pedido sobre seus papeis e sobre a trama. O problema é que a trama não é tão boa assim, os personagens são medianos e os coadjuvantes são ofuscados demais pela cinematografia da série.

Voltando à historia, todos os três são aquelas pessoas atípicas, com posse de qualidades e características destoantes do resto da sociedade e que as condições da vida lhes fizeram reprimi-las, tornando-as pessoas comuns para o resto do mundo, até que o destino aparece na porta de casa e os obriga a serem quem eles nasceram para ser. Esse destino se chama Allanon, o druida.


Allanon, com sua imensa sabedoria, conhecimento e disciplina, garante que nossos três heróis façam o que precisam fazer, exatamente como um líder ou um MESTRE/NARRADOR em uma mesa de RPG. Allanon é quase como um Obi-Wan na trilogia original do Star Wars, o Gandalf do Senhor dos Anéis. Ele possui dons mágicos e encantos poderosos, mas usa-os com cautela, digamos que a magia nesse mundo possui consequências imediatas ao usuário, se abusada. Ele é o inimigo jurado de Dagda-Mor, o demônio que originalmente era um druida como Allanon, mas que foi corrompido pelo poder das Trevas.


Está claro para qualquer espectador que os efeitos especiais estão em segunda mão, se comparados com a arte gráfica dos ambientes onde as filmagens acontecem. As cenas apocalípticas e florestais da série são excelentes, mas qualquer cena de batalha, uso de magia ou aparição demoníaca deixam a desejar. Quando se trata de combate medieval o nosso padrão é "O Hobbit" e não "Sessão da Tarde". Uma característica que me traz sentimentos misturados de "gostei" e "não gostei" é o tom juvenil da série. Ao mesmo tempo que sinto agradecido por escapar do peso que é "Vikings" e "Black Sails" e ir para algo mais leve e sem responsabilidade, penso que todo o tema dessa ambientação PEDE por algo mais pesado, trágico e épico também.

The Shannara Chronicles é aquela série que você quer deixar passando, quando as luzes estão ligadas, sem se preocupar em pausar quando vai ao banheiro ou buscar mais comida. Cada episódio tem aproximadamente 40 minutos de duração, com milhares de pausas com telas pretas, deixando o espectador extremamente a vontade para escolher quando quer parar. Essa facilidade vem com um preço. Uma trama que fica sendo interrompida ou cortada em pontos onde a tensão aumenta é coisa de final de novela, o que não é nada agradável.

Antes de dar as notas e considerações finais, falarei sobre a bagagem RPG que a série traz, começando pelo elefante branco: "o desenvolvimento da história". Pessoal, quando sintonizarem nessa série vocês verão o seguinte, uma QUEST PRINCIPAL sendo perseguida por PERSONAGENS INEXPERIENTES, mas possuem QUESTS SECUNDÁRIAS a todo momento, fortalecendo não só a moral mas também dando "PONTOS DE EXPERIÊNCIA", fazendo-os mais formidáveis com o passar dos episódios. Os personagens são todos solitários de uma maneira ou de outra (assim como 99% dos personagens de RPG), eles até encontram "dados de rpg" nas ruínas do mundo antigo como uma referência cativante a nós nerds rpgistas!


É incrível como os produtores dessa série conseguiram encaixar um PLOT que poderia ter 20 ou mais episódios em apenas 10 e eles merecem parabéns por isso. Mas, novamente, houve um preço: há quests secundárias que são horríveis e são concebidas ou resolvidas puramente em cima da criancice dos personagens envolvidos, dando a entender que aquela mini-história dentro da Quest Principal deveria ter pelo menos 3 episódios (começo-meio-fim) ou nem mesmo existir, ao invés de ter toda a sua forma iniciada e finalizada em 30 minutos ou menos.

Efeitos especiais: Nota 2.0
- luzes mágicas, stop motion, efeitos gráficos que não se misturam bem com atores reais.

Background e ambientação: 4.5
- O motivo pelo qual você se prende à série.

Atuação de protagonistas e personagens principais: 2.5
- Todos os atores entraram 100% em seus personagens, mas os personagens poderiam ser um pouco menos infantis. Mesmo que essa seja a proposta e o público-alvo, o problema ainda está lá.

Atuação de coadjuvantes e imersão do telespectador na ambientação: 2.5
- O único coadjuvante que eu realmente gostei foi o Allanon, e convenhamos, temos muitos coadjuvantes nomeados nessa série para que apenas um se sobressaia de tal maneira.

Desenrolar da trama e qualidade da história: 3.0
- Poderiam ter pelo menos 6 episódios a mais para deixar a trama (e suas quests secundárias) bem amarradinhas e explicadas.

Utilização de técnicas teatrais ou de clichés cinematográficos: 3.5
- O triângulo amoroso é muito bem utilizado, o mentor estilo 'mestre dos magos' não desaponta, e é criado uma boa desculpa para que o vilão principal fique "aguardando" as coisas acontecerem ao seu redor. Funciona bem, no entanto, faltou algo a mais para por todos esses clichés à prova.

Nota final: 3,0
A nota parece baixa, mas confiem em mim, vale a pena ver a série. É muito tranquila e desapegada, ótima para passar o tempo ou para verificar alguns episódios entre os hiatos de espera semanais da sua série favorita.

Até mais pessoal, vejo vocês de novo na segunda temporada de Shannara Chronicles.

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