Review | Resident Evil 7 Biohazard (PS4, XBox One, PC)


Desde os anos 90, sou fã das franquias Resident Evil e Silent Hill. Ambos os títulos são os games que acompanhei com mais paixão e dedicação até hoje, e o cancelamento de Silent Hills, que teria sido produzido e dirigido por Hideo Kojima e Guillermo del Toro, e estrelado por Norman Reedus, foi de longe a maior decepção que já sofri por causa de um game. Quando Resident Evil 7 foi anunciado, com uma versão demo para jogar no PlayStation 4, a impressão que todos tiveram foi de que a Capcom estava se aproveitando do cancelamento de Silent Hills, lançando um demo parecido com o do jogo da Konami, que teve como título PT (playable teaser). Enquanto muitas pessoas reclamavam que o game estava parecido demais com PT Silent Hills, eu comemorei por a Capcom abraçar com carinho os fãs abandonados pela Konami, que mesmo reclamando por RE7 parecer PT, não jogarão Silent Hills mais. Acredito que se a Konami não estivesse cometendo tantos erros, e se Silent Hills fosse lançado, Resident Evil 7 não sairia do jeito que saiu, e o resultado foi brilhante.

De volta aos survival horror


Resident Evil é uma série criada por Shinji Mikami, mestre do horror nos games, e trabalhou com a franquia desde o primeiro game para PlayStation 1, até o aclamado Resident Evil 4, um dos melhores games de todos os tempos, com incontáveis relançamentos e remasterizações. A partir de Resident Evil 5, a série não contou com Mikami mais, e seguiu para um rumo de ação muito semelhante à série Gears of War, e Resident Evil 6 parecia mais um game de ação frenética da Platinum Games, como Vanquish, que ironicamente, é uma obra de Shinji Mikami. Os títulos de ação trouxeram um novo grupo de fãs para a série, mas os fãs veteranos se sentiram abandonados por não haver mais elementos de terror, e o famoso designer se manifestou criando o apavorante The Evil Within, produzido pela Tango Gameworks, e distribuído pela Bethesda. Diante desta situação e do fato de títulos como Amnesia, Outlast e Alien Isolation dominarem o mercado de survival horror, a série Resident Evil se viu enfraquecida.

Resident Evil 7 foi criado especialmente para os fãs mais velhos, que se assustaram com cães quebrando janelas em 1996, e sentiam arrepios cada vez que Nemesis sussurrava “STARS” em 1999. Com visão em primeira pessoa, a obra traz de volta cada elemento icônico dos primeiros games. Espaço limitado para itens, baús de armazenamento, salas especiais para salvar e administrar os itens, quebra cabeças, portas trancadas e chaves simbólicas. O game apresenta referências a todos os títulos da série, e até a pulseira eletrônica do recente Revelations 2 está presente.


A obra coloca o jogador na pele de Ethan, um homem comum, sem habilidades de defesa pessoal, muito menos com armas, para resgatar a esposa Mia em uma fazenda no meio de um pântano no estado de Luisiana nos EUA. O problema é que a fazenda é habitada pela família Baker, grupo de vilões tão icônicos quanto entidades farmacêuticas e militares dos games anteriores, como Umbrella Corporation, STARS e BSAA. A família Baker faz referência direta aos filmes da série O Massacre da Serra Elétrica, especialmente em um momento chocante em que um casal força Ethan a comer entranhas humanas, e o castigam severamente por sua ingratidão à hospitalidade familiar. Cada membro da família é particularmente assustador e digno de ódio, por agirem de maneira desumana e violenta. Um deles pode causar pesadelos por voltar da morte quando menos esperamos, como ocorria com Nemesis em Resident Evil 3 Nemesis.


No quesito horror, RE Revelations 1 e 2 até tentaram oferecer experiências assustadoras. RE7 atira o jogador em um dos pesadelos mais arrepiantes já oferecidos por um videogame. Os cenários dentro da casa são escuros, sujos, com detalhes nojentos e visuais por todas as partes. A família Baker vive em condições de higiene absurdas, e parecem felizes com toda imundice impregnada por cada canto da casa. Em cenários assim o jogador entra em um clima praticamente de horror sobrenatural, com luzes se apagando e sussurros ecoando no escuro, sem falar de momentos em que nos deparamos com uma senhora muito velha sentada e desacordada em uma cadeira de rodas, dormindo de boca aberta, e ao explorar o ambiente, quando olhamos para ela de longe, podemos ver ela nos observando de olhos abertos.

Zumbis esperam escondidos por corredores para atacar jogadores desprevenidos. Os zumbis não parecem muito com os tradicionais dos primeiros games da série, mas isso reforça a criatividade da série, que sempre apresentou criaturas diferentes e bizarras a cada game. Existem boas armas escondidas pela casa, mas a munição deve ser racionada.


Em determinados pontos são encontradas fitas cassete com registros de pessoas que estiveram na casa, e não tiveram sorte para sair com vida. Rodando as fitas em um vídeo, o jogador entra no controle da pessoa que registrou as informações ali gravadas. Esses momentos são perturbadores, dando uma breve prévia do horror que aguarda por Ethan, além de certas dicas para que o protagonista prossiga. Os momentos das fitas são boas referências a filmes como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal.


Uma surpresa muito agradável é a volta das salas para salvar o progresso do jogo, presentes apenas nos três primeiro games da série, além de Resident Evil Code Veronica. As salas contêm um baú de armazenamento e um gravador para salvar, substituindo as máquinas de escrever.

Em menos de 10 horas, o game pode ser terminado, contando os momentos de tentativa e erro e exploração para descobrir o que fazer, ou guardar itens no baú. A princípio parece curto, mas o título termina na hora certa de evitar entediar o jogador, e como Resident Evil 7 tem um ritmo lento e assustador, certos momentos de tensão parecem eternos.

No PlayStation 4, o jogo possui suporte para o PlayStation VR, aumentando a imersão e aplicando esteroides ao quesito medo.


Veredicto


Este é o game que há anos eu estava pedindo para a Capcom criar, e o fizeram na hora certa, consolando os fãs órfãos de Silent Hills. Resident Evil 7 Biohazard é o melhor título da série desde Resident Evil 4, e não apenas leva o jogador ao horror clássico dos games antigos, como atira o jogador à experiência mais assustadora já vivida em um videogame. Se Resident Evil 1 tivesse visão em primeira pessoa, seria muito parecido com este game. É o título mais atmosférico da série, assustando mais pelo clima de solidão em um lugar escuro do que pelos sustos com coisas pulando na tela. Tais sustos fazem parte do jogo, mas são moderados a ponto de não quebrar o clima hostil da mansão da família Baker, que se tornou um novo ícone para a mais icônica série de survival horror de todos os tempos.

Nota: 9,0

Ficha Técnica
Título: Resident Evil 7 Biohazard
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One e PC
Produtora: Capcom
Distribuidora: Capcom

Nenhum comentário:

Postar um comentário