Review | Final Fantasy XV (PS4, XBox One)


Final Fantasy XV sofreu longos atrasos. Inicialmente seria um título paralelo a Final Fantasy XIII e se chamaria Final Fantasy Versus XIII, para PlayStation 3. O atraso e a mudança de título vieram para o bem e o game final, surpreendentemente, se tornou uma obra muito maior do que seria no começo.

A série Final Fantasy por muito tempo foi a maior referência do mundo em games de RPG, especialmente se tratando de games orientais.

Com a ascensão dos RPG's ocidentais, como Dragon Age, The Elder Scrolls, Mass Effect e Fallout, a maioria games de mundo aberto, tornaram os RPG's japoneses, que continuavam seguindo os mesmos padrões dos Final Fantasy dos anos 90 e 2000, datados. O grande desafio de Final Fantasy XV é de levar à franquia elementos de games ocidentais, sem perder a essência japonesa, e o título o faz com sucesso, equilibrando os estilos, e sem enfraquecê-los.

Mais um game de mundo aberto?



Final Fantasy XV é o primeiro da série a se passar em um mapa de mundo aberto, no estilo de The Elder Scrolls, com diferentes estilos de paisagens e eco sistemas. Mundo aberto é algo que está começando a ficar saturado na indústria dos games, com muitos títulos com áreas vazias sem algo relevante para fazer, como aconteceu em Mad Max, Batman Arkham Knight e a série Assassin’s Creed, que forçam a exploração para buscar coletáveis inúteis. A Square-Enix teve um cuidado especial para não levar esses problemas ao mundo de Final Fantasy XV. O mapa é realmente imenso, e há muita coisa relevante para fazer pelas florestas, desertos e cavernas.

Caso o jogador opte em apenas seguir a história principal, não será necessário explorar muito os cenários. As missões levam o jogador direto ao que importa, para que a história se desenvolva de modo fluente. Além da história principal, há missões paralelas e trabalhos para caçar animais e monstros que ameaçam redondezas. Nessas horas, explorar o mundo aberto, a pé ou montado nos lindos Chocobos, é uma aventura que enche os olhos de alegria.

O principal modo de se deslocar de um local a outro é através da Regalia, nome do carro usado pelo protagonista e seus três companheiros fiéis. Regalia pode ser usada apenas nas estradas. Para explorar os campos abertos é preciso usar um Chocobo, ou ir andando. É possível escolher em dirigir o carro, ou deixar que um dos camaradas o faça, dando ao jogador apenas a tarefa de apreciar as paisagens durante as excursões. Também há a possibilidade de realizar viagens rápidas, opção presente em quase todos os games de mundo aberto, o que custa dinheiro do jogo. À noite, o perigo ronda pelas estradas e campos, e os quatro companheiros devem encontrar abrigos em hotéis ou em acampamentos.

Recupere seu trono



Final Fantasy XV conta sobre a jornada do Príncipe Noctis para retomar o trono de seu pai, o Rei Regis, que teve o reino de Lucis atacado e tomado por forças militares. Lucis foi um reino pacífico protegido por um cristal sagrado que carrega uma força mágica de antigos reis, mas a chegada de soldados de Niflheim causa eventos catastróficos a Lucis, levando o jovem príncipe a uma complicada missão para recuperar o que é seu e levar paz a seu povo, contando com a ajuda de seus fiéis amigos.

Príncipe Noctis



Um jovem príncipe que prematuramente deve arcar com responsabilidades reais após o reino de seu pai ser violentamente atacado. Noctis teve perdas colossais e deve levar nas costas as obrigações que um rei tem para trazer seu reino de volta à paz. O garoto possui talento para pesca, que é aplicado no game, e junto de seus amigos possui poderes mágicos trazidos por seus ancestrais.

Prompto



Amigo de Noctis desde que estudavam juntos na escola. É o alívio cômico do quarteto, bem humorado, trazendo alegria para os companheiros durante as perigosas missões. Sempre gostou de fotografia. O personagem registra momentos importantes do game, que podem ser compartilhados no Facebook ou Twitter.

Ignis



Quando o jogador opta em não dirigir a Regalia durante as explorações, é Ignis quem toma conta do volante. Jovem sério e inteligente, cresceu com Noctis para um dia se tornar conselheiro em compromissos reais. Ignis é um cozinheiro talentoso e prepara pratos requintados para o quarteto nos acampamentos, usando ingredientes coletados em batalhas contra monstros e animais pescados pelo Noctis. Cada prato causa um efeito temporário diferente aos personagens durante as batalhas, como aumento de força e agilidade.

Gladiolus



Sua família trabalhou para a segurança da família real. Gladio acompanha Noctis e seus amigos por pura segurança, sendo o personagem mais fisicamente forte durante as batalhas. Gladiolus costuma ser durão e em certos momentos grosseiro, especialmente com Noctis. Sua presença torna a jornada mais segura, já que os cenários são tomados por militares armados e criaturas hostis.

Princesa Lunafreya



Os reinos de Lucis e Tenenbrae possuíam laços de paz e amizade, infelizmente arruinados pelos ataques militares de Niflheim. A Princesa Lunafreya é considerada o Oráculo por se comunicar com os deuses ancestrais que protegem o reino de Lucis e oferecem poderes mágicos à família real. A amiga de infância de Noctis é obrigada a se casar com o príncipe devido a um acordo criado por líderes de Niflheim.

Rei Regis



O rei é abençoado pelo cristal mágico, que lhe dota dos poderes de antigos reis para proteger o seu reino. Para isso, o Rei Regis é portador de um poderoso anel, cobiçado por vilões ambiciosos, que conseguem tirar dele quase tudo que construiu e cuidou com amor, envolvendo o povo do reino de Lucis e seus familiares.

Encontro de dois mundos


   

A história principal pode ser terminada em poucas horas, de forma mais rápida e menos enrolada que os títulos anteriores, mas isso não torna o enredo mais fraco, e vale à pena para quem quer aproveitar o jogo às pressas.

Os cenários se aproximam da realidade, com estradas, campos e desertos repletos de casas, ruínas e postos de gasolina, fugindo dos mundos fantasiosos, mágicos e tecnológicos dos games anteriores, tornando o game mais semelhante à RPG's ocidentais como Fallout 4.


Ao acostumar o jogador com elementos realistas e o mundo aberto, o jogo passa a impressionar mais que os games anteriores ao apresentar elementos mágicos, especialmente durante invocações de deuses e titãs, presentes durante boa parte da série, mas acabaram perdendo o brilho em Final Fantasy XIII. Durante uma inocente batalha, podemos ser surpreendidos pela invocação de Ramuh, que faz sua entrada majestosa e finaliza a batalha enchendo a tela com os melhores efeitos visuais já vistos em um videogame!

Outras criaturas gigantes também podem ser invocadas. O jogador também pode ser surpreendido por inimigos e chefes igualmente gigantes, e extremamente desafiadores. Pela primeira vez na série principal, Final Fantasy não conta com batalhas em turnos, mas desta vez elas não se parecem muito com as que vemos em RPG's ocidentais, por serem inspiradas nas batalhas de Kingdom Hearts.

Missões paralelas e caças a criaturas recheiam o jogo de conteúdo divertido e relevante e tornam os personagens mais fortes e habilidosos, tanto em batalhas, quanto em seus talentos de culinária, pesca, sobrevivência e fotografia.


Veredicto


Final Fantasy XV fez pela série basicamente o mesmo que aconteceu com Metal Gear Solid V The Phantom Pain. Duas séries que se reinventaram e se tornaram ainda mais icônicas por unirem seus elementos clássicos orientais com elementos modernos ocidentais. A história pode ser aproveitada de maneira rápida, mas é profunda e emocionante, envolvendo personagens com quem nos identificamos em pouco tempo. O mundo aberto é incrível e cheio de missões relevantes, conseguindo esconder segredos e surpresas do tamanho de uma montanha, testando as habilidades do jogador sem frustrá-lo. Final Fantasy XV abusa de conceitos de RPG's ocidentais, sem desrespeitá-los, sem deixar de ser um legítimo JRPG de primeira, levando a série de volta ao trono dos RPG's.

Nota: 10

Ficha Técnica
Título: Final Fantasy XV
Plataforma: PlayStation 4 e Xbox One
Produtora: Square-Enix
Distribuidora: Square-Enix
Lançamento: 29 de novembro de 2016

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