Crítica | Justice League Dark


Fala galera! Depois de muito tempo sem escrever, estou aqui de volta para mandar um review sobre outra animação da DC. Dessa vez, a escolhida foi Justice League Dark!

Para quem não conhece, a "Liga da Justiça Sombria" é um apanhado de heróis, anti-heróis e até vilões que protegem o mundo de ameaças que a Liga da Justiça não consegue lidar. Em sua maioria, ameaças mágicas.

A LJS começou suas aventuras em 2011, com a reformulação "Novos 52" da DC. Essa reformulação trouxe ao universo mainstream vários personagens da editora Vertigo, entre eles o líder involuntário deste grupo, John Constantine. Inclusive, sendo este um dos maiores pontos de polêmica sobre o personagem e seus rumos pós Novos 52.


Hellblazer é uma série clássica, uma das maiores do selo Vertigo e talvez uma das mais reconhecidas HQ's adultas da história. Com um universo soturno e fechado, Constantine lidava com ameaças ocultas com seu jeito cru e politicamente incorreto. Sua visão fria do mundo é contrastante com sua vontade de fazer o bem, de consertar as coisas erradas que vê, ou que ele cometeu. Até mesmo nas histórias mais positivas do personagem, vemos que ele é falível, seja quando cometendo erros ou quando tomando decisões questionáveis pelo bem maior. Por essas e outras, John é esse personagem forte e polêmico que amamos. Ele é um humano comum, lidando com ameaças que deixariam qualquer um maluco.

Constantine após o seu "reboot", se tornou um personagem costumeiro do universo DC. Não só aparecendo em várias grandes sagas da editora, como também tendo sua revista transformada em algo muito menos soturno mas mais acessível ao público geral. Apesar dos pesares, isto só mostra a força do personagem, que transitou do underground para o mainstream de maneira épica, e como várias bandas punk que trilham esse caminho, acaba acusado de "vendido" entre um mosh e outro. 

A Liga da Justiça Sombria não se limita ao personagem inglês, ela trás também Deadman, Zatanna, Etrigan, Monstro do Pântano, entre outros. São nomes de peso do lado oculto da editora, que atraem uma legião de fãs para a animação. Já de olho nisso, muito antes do lançamento da animação, a DC tinha nela um dos principais nomes de seu universo cinematográfico, e queria que ela fosse adaptada por nada mais, nada menos que Guillermo Del Toro. Infelizmente, o projeto que acabou escanteado devido aos recentes revezes da editora no cinema, perdendo Del Toro no caminho. A própria existência desta animação repete uma estratégia usada com o Esquadrão Suicida. Antes da produção do filme, uma animação foi feita com intenção de "medir o hype" que um filme do grupo teria dentro da fanbase. Essa animação foi muito bem aceita, sendo um dos fatores que justificou o investimento "arriscado" em heróis não tão conhecidos. O padrão se repete com Justice League Dark, que trás aos holofotes todo um universo pouco conhecido para o público geral, porém com fãs muito exigentes.


E os fãs tem motivos para comemorar a primeira aventura da DC no oculto. A animação começa de maneira clássica, com a Liga da Justiça enfrentando uma situação misteriosa além de seu entendimento e várias pessoas cometendo assassinatos e suicídios sem motivo aparente. Já em sua introdução, a animação se mostra orgulhosa de sua censura a menores de 18, com cenas chocantes e pesadas. Deadman, personagem cujo qual seu poder é possuir pessoas, consegue ver que esses crimes não são coincidência, entrando em contato com Batman, o possuindo e escrevendo nas paredes o nome de Constantine. Batman percebe que os crimes estão ligados a algo que a Liga da Justiça tem pouco know how, a magia. Ele resolve entrar em contato com o mago bretão e assim, a trama vai evoluindo e trazendo o próprio John, Zatanna, Jason Blood e seu demônio interior Etrigan, Monstro do Pantano, Orquídea Negra e o próprio Deadman para finalmente fundarem a Liga da Justiça Sombria.

Enfrentando alguns vilões inesperados, incluindo um feito de cocô (sim, bosta mesmo), a LJS vai resolvendo o mistério que vai tomando proporções cada vez maiores, envolvendo finalmente a Liga da Justiça titular em um embate final com o vilão principal do filme. O roteiro foge de alguns clichês e se prende em outros. A apresentação é feita de maneira apressada, deixando alguns personagens interessantes mal desenvolvidos. No entanto, a história como um todo é bem construída, simples e linear. Consegue armar uma boa desculpa para que tudo aquilo acontecesse e surpreende pelas baixas finais da LJS, mostrando que o tom é pesado, muitas vezes necessitando sacrifícios para um bem maior.


Outro ponto positivo é a riqueza em easter eggs de todo tipo, prestando homenagens a inúmeros personagens da DC e da Vertigo. É bem possível que caso vejamos um filme no cinema com esses personagens, ele aconteça de tal maneira devido ao formato da animação.

O baixo orçamento limita a produção mas não compromete o resultado final satisfatório. Os atores selecionados para as vozes dos personagens fazem um trabalho ótimo. Matt Ryan reprisa novamente John Constantine, Jason O'Mara de Agents of S.H.I.E.L.D. faz Batman, Rosario Dawson a Mulher Maravilha e Alfred Molina aparece durante a animação para dar voz ao vilão principal.

Justice League Dark atinge seus objetivos, apesar de ser simplista na maioria das vezes. Claro que espero muito mais para uma adaptação nos cinemas, pelo potencial da série e também dos personagens em si. Se você busca uma animação para ver em um dia qualquer, sem muita profundidade, vale a pena. Caso você realmente seja um fã hardcore de alguns personagens, provavelmente venha a se decepcionar. É uma pena que o DCU esteja tão perdido, esse seria um filme complexo para ser feito com paciência e tempo, coisas que a marca não tem, com um diretor esteticamente corajoso como Del Toro. Fica a expectativa, não só de para onde iremos em uma próxima animação, quanto para o futuro da DC nos cinemas. Será que iremos explorar o mundo mágico, cheio de demônios e caos da DC, ou ficaremos a ver navios outra vez?

Nenhum comentário:

Postar um comentário