Review | Deus Ex Mankind Divided (PS4, XBox One, PC)


Futuro utópico


A revolução humana acontece quando a tecnologia consegue criar artificialmente quaisquer tipos de membros do corpo humano, e surgem curas para todos os tipos de anomalias, como cegueira, surdez, paralisias devido a fraturas da espinha cervical, amputação de pernas e braços. Aprimoramentos trazem ao mundo o maior avanço que a medicina já teve na história.

Mas a tecnologia avança além, e membros artificiais superam os naturais, oferecendo novas habilidades e sentidos para quem os possuem, e a humanidade passa a querer trocar seus membros saudáveis por peças aprimoradas.

Tais aprimoramentos passam a ser produzidos para melhorar a tecnologia militar, transformando humanos em máquinas de guerra letais, em uma guerra onde grandes corporações e políticos tentam provar quem tem mais poder.

Futuro distópico


Por motivos morais e religiosos, especialmente por se sentirem ameaçados e enfraquecidos diante de humanos mais poderosos, pessoas normais começam a agir contra os aprimoramentos, protestando e agindo violentamente, arrancando à força os membros, e até assassinando.

A situação piora quando grupos de aprimorados passam a cometer atentados terroristas, e aprimorados inocentes são hackeados para agir violentamente contra a própria vontade.

O governo decide então, separar pessoas normais das modificadas, ignorando o fato de existirem pessoas boas e más de ambos os lados, e a humanidade passa a viver com medo, medo de terem seus membros artificiais arrancados, e medo de sofrerem atentados por aprimorados raivosos.

Eu sempre pedi por isso!


Deus Ex Mankind Divided se passa em 2029, dois anos após os acontecimentos de Human Revolution, e o jogador mais uma vez assume o comando de Adam Jensen, ex-membro da SWAT, agora um agente da Interpol, no compromisso de enfrentar e negociar com pessoas poderosas que tem o futuro da humanidade nas mãos.


O título é um RPG de tiro em primeira pessoa, com fortes elementos de stealth, e sistema de diálogos semelhante ao de Mass Effect, com capacidades de persuasão.

O sistema de evolução, que era um pouco confuso em Human Revolution, está melhorado, e possui habilidades para explorar e melhorar de acordo com o estilo e gosto do jogador. Tendo isso em mente, podemos ter a noção de que Deus Ex Mankind Divided pode ser jogado de muitas formas diferentes, e para cada estilo de jogador, há muitas opções para usar e melhorar. Os inimigos podem ser derrotados através do tiroteio insano, agradando veteranos de games de tiro como Call of Duty, mas o game também pode ser totalmente jogado sem que um inimigo seja morto, ou até mesmo sem que eles percebam que Adam passou pelo local, ótimo para fãs de games de stealth como Thief. Conflitos podem ser evitados também escolhendo o que Adam fala durante os diálogos, e é possível evoluir detalhes da parte de persuasão, para detectarmos mentiras e o nervosismo dos personagens com quem Jensen se comunica.


A direção de arte, que deu à série uma personalidade única em Human Revolution, continua aprimorada. Se o anterior impressionava por um visual não realista, mas bastante estilizado e detalhado, Mankind Divided impressiona por apresentar a cidade de Praga com muita vida e um visual impressionante da arquitetura clássica ao lado de prédios e veículos futuristas, e sem mundo aberto, algo que está ficando saturado nos videogames nesta geração. A trilha sonora é melancólica, e mescla elementos de música clássica com eletrônica, dando uma atmosfera apocalíptica ao título.


Em certos pontos, Mankind Divided não está à altura de Human Revolution, que causou impacto no lançamento. Este impacto não acontece no novo título, mesmo para quem não jogou o game de 2011. O final é precoce, por ocorrer interrompendo uma das missões mais emocionantes do game, sem deixar chegar a um clímax, o vilão não convence nem assusta muito, e as escolhas feitas durante o game e no final não levam a finais muito diferentes. Esses problemas não fazem passar despercebidas as qualidades que superam Human Revolution, como o sistema de evolução e de escolhas durante a campanha principal e missões paralelas.


Veredicto


Deus Ex Mankind Divided realiza uma boa crítica social sobre intolerância e preconceito, que se encaixa com problemas sociais dos dias de hoje. O gameplay mistura elementos de muitos gêneros de games diferentes de maneira equilibrada, permitindo que o jogador tenha uma grande liberdade para concluir as missões principais e paralelas. Não causa o impacto do antecessor, e o final chega apressado, mas o sistema de evolução está balanceado e maior. A direção de arte, com a riqueza da cidade de Praga, visual aprimorado e trilha sonora melancólica tornam o jogo agradavelmente atmosférico.

Nota: 9,0

Ficha Técnica
Título: Deus Ex Mankind Divided
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One e PC
Produtora: Eidos Montreal
Distribuidora: Square-Enix

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