Afinal, Rogue One é o melhor filme de Star Wars?


Aviso para os que irão ler a matéria: CONTÉM SPOILERS, só leia se você já assistiu ao filme ou se não tem problema com isso, é por sua conta e risco.

Como todo fã de Star Wars que se preze, fui assistir à Rogue One com a hype extremamente alta, afinal, a crítica estava rasgando elogios ao filme e muitos fãs já falavam que havia sido lançado o melhor filme da franquia até o momento.

Muita gente reclamou quando anunciaram que não teríamos a abertura clássica dos filmes (inclusive este quem vos fala), e no começo bateu um pequeno desconforto e uma certa tristeza por ver um filme de Star Wars sem o tema clássico e a abertura com as letras flutuantes. Mas a medida que o filme foi acontecendo, ele me mostrou que não precisava disso para passar todo o clima de estar no universo criado por George Lucas e que está sendo tão bem cuidado pela Disney.


São vários easter eggs espalhados pelo filme, que o ligam com as animações Clone Wars e Rebels, e com outros filmes da franquia, obviamente. Mas para quem achou que veria alguma ligação com o episódio VII, pode tirar o cavalinho da chuva, pois a princípio não aconteceu nada no filme que dê a entender que este possa ter alguma espécie de conexão com o primeiro filme da nova trilogia.

Rogue One faz o que nenhum outro filme de Star Wars havia feito antes: Nos mostra o lado mais sujo da guerra, mostra o sofrimento das pessoas que vivem em meio ao terror e são pegas no fogo cruzado, nos mostra que não importa do lado que você está, em algum momento você pode ser forçado a fazer algo que não quer e é moralmente condenável, somente para melhorar as chances de sua facção. Com certeza este é o filme mais sombrio (e adulto) da franquia.

Personagens


Felicity Jones acaba interpretando uma protagonista que não tem tanta profundidade quanto as outras personagens femininas que se destacaram na saga, mas nem precisa, pois a intenção do filme é mais focada para a missão principal e com o desenvolvimento da história, do que o dos personagens. A única coisa que me incomodou levemente foi que a atriz em alguns momentos pareceu não conseguir expressar o sentimento que deveria ser transmitido em algumas cenas, a cena em que ela acusa Saw Guerrera (Forest Whitaker) de tê-la abandonado, por exemplo, não passou a dramaticidade necessária para uma ocasião como esta. Mas em geral, ela acaba não comprometendo, tendo tido uma atuação mediana.


Os grandes destaques do filme em relação aos personagens, acabam sendo os secundários. Diego Luna entrega um Cassian Andor convincente e consegue passar a dúvida que o personagem sente ao ter que cometer atos desonrados para ajudar a rebelião sem se esforçar muito. O dróide K2-SO (com a voz de Alan Tudyk) é um excelente personagem e foi muito bem utilizado como alívio cômico, com as piadas não parecendo forçadas ou fora de contexto em momento algum. Riz Ahmed consegue passar muito bem a vontade que seu personagem (Bodhi Rook), um ex piloto de carga do império, tem de se redimir e ajudar a rebelião. E finalmente, a dupla Donnie Yen e Wen Jiang entrega os melhores personagens do filme, a relação entre Chirrut Îmwe e Baze Malbus é muito boa e acaba te dando uma vontade de "quero mais". Îmwe também protagoniza algumas das melhores cenas de luta de toda a saga e toda a relação mística que seu personagem tem com a Força é muito interessante, principalmente por ele não ser um Jedi.

Um personagem que os fãs estavam em dúvida se ia aparecer no filme está presente. Grand Moff Tarkin foi feito em computação gráfica, pois o ator original (Peter Cushing) faleceu em 1994. E o CG acabou ficando muito bem feito, claro que se observarmos com atenção é possível notar que é uma pessoa criada por computador, porém a pouca iluminação nas cenas em que aparece acaba ajudando bastante a aumentar a sensação de que Cushing realmente gravou a cena. Agora a CG feita para a Princesa Leia acabou não tendo o mesmo resultado final, provavelmente pelo dato de a cena possuir uma iluminação mais forte.

E por falar em personagens presentes na trilogia original que aparecem em Rogue One, o sith mais amado da cultura pop, Darth Vader teve a sua melhor cena de luta nos cinemas. Podemos ver o Lorde Negro dos Sith destruir uma tropa inteira e o terror dos soldados rebeldes ao ver o poder de Vader é sensacional.


Outra coisa que eu já imaginava, mas a execução acabou superando minhas expectativas, foi o final do filme. Todos morrem. Sim, eu já esperava que isso iria acontecer para termos uma explicação plausível para o não aparecimento destes personagens no Episódio IV, mas ver que cada um deles teve uma cena bem trabalhada de seus últimos minutos foi espetacular. Você acaba realmente ficando triste nesses momentos, destaco principalmente a cena final de K2-SO e a de Îmwe e Malbus.

Mas afinal, Rogue One é mesmo o melhor filme de Star Wars?


Difícil dizer. Vários fãs falavam a mesma coisa depois de assistir O Despertar da Força. Por enquanto posso afirmar que Rogue One é o filme mais sombrio e adulto da franquia, mas temos que lembrar que ele não funcionaria sem a trilogia clássica. No momento não posso afirmar que é o melhor filme, mas com certeza está na lista dos melhores e deve ficar por um bom tempo.

Nota: 9/10

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