3% | Os Prós e Contras de uma Série Muito Boa


Assisti 3% quase no mesmo dia em que estreou. Admito que me senti um pouco decepcionado em alguns aspectos. Mas, ao contrário de uma grande maioria de pessoas que diz: “Ahn, produção nacional horrorosa”, e apontam todos os defeitos que se poderia em uma primeira temporada, eu vou dizer o porque as minhas decepções foram pequenas, quando comparadas às minhas agradáveis surpresas no meio do caminho.

Acompanhe meus motivos para estar ansioso com a segunda temporada da série, para o aumento do orçamento da mesma e para a chance dos atores e roteiristas de mostrarem realmente ao que vieram.

Um roteiro conservador demais

Não sou exatamente especialista em analisar atuações. Admito que em alguns momentos elas parecem fracas, mas não tenho 100% de certeza se a culpa é apenas dos atores ou da direção, ou ainda um misto disso. Existem méritos, por exemplo, na excelente atuação de Sérgio Mamberti como conselheiro Mateus e João Miguel, que interpreta as cenas dramáticas de Ezequiel com grande qualidade.


A minha maior tristeza com 3%, na verdade, nem vem de nada com que as pessoas reclamaram. Muita gente reclamou de que havia furos no roteiro, eu, pessoalmente acho que eles explicaram coisas demais em uma primeira temporada. Especialmente sobre os personagens que fariam alguma diferente nas temporadas seguintes.

Michele, Fernando, Joana e Rafael foram totalmente explorados em seu background, de uma forma um tanto quanto exagerada, em minha opinião. Diversas informações poderiam ter sido ocultadas, especialmente de Fernando, Joana e Rafael. Explorar um pouco mais o lado de cá (de onde as pessoas saíam para o Processo) seria mais interessante e curioso. Mostrar como o comércio é feito, como ainda existiam classes sociais diferentes (já que aparentemente não existe um governo independente, só uma influência relativamente fraca de Maralto, representada especialmente pelo Processo) e como dinheiro funciona em um ambiente que não aparenta ter ordem alguma.

Eu entendo o motivo. Os roteiristas apresentaram todos os personagens por medo de não existir uma segunda temporada. Eu acredito que foi uma decisão extremamente conservadora, que quase demonstra falta de confiança na produção.

Uma ação online excelente

Ao mesmo tempo, aonde o roteiro presenta falhas pequenas, mas consideráveis, ele deixou claro o conflito que vai nortear o resto da produção, e mais do que isso, ele fez com que as pessoas se apaixonassem pelos lados, o que é uma das maiores questões dentro de uma história onde os dois lados tem seus motivos, mas não existe dicotomia.


As ações online de 3% pelo facebook da Netflix estão demonstrando que o engajamento das pessoas na história está muito maior do que o barulho dos detratores, afirmando do sucesso da série. Ainda mais com a confirmação de uma segunda temporada.

Ver ou não ver? Com certeza veja! Um excelente trabalho, um excelente precedente para produções nacionais na Netflix e uma pedrada no monopólio de comédias românticas e filmes de “dura realidade”. Sci-Fi nacional, atual e crítico, e mais representativo da nossa realidade do que muitos pensam.

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