Crítica | Luke Cage


Mike Colter interpreta Luke Cage em sua própria série de TV após participar de Jessica Jones. A nova série do super-herói negro com pele a prova de balas é a terceira inserida no universo das séries da Marvel na Netflix, que iniciou com Demolidor, e seguiu com Jessica Jones. O universo ainda aguarda a estreia de Punho de Ferro, e então o crossover The Defenders, que unirá os heróis do submundo de Nova Iorque.


Nos primeiros episódios, Luke Cage é apresentado como um homem pacato, humilde, trabalhador, que evita qualquer tipo de confusão. Pop, barbeiro e figura paterna de Luke, se queixa por ele não estar fazendo o que seria certo, por não aproveitar sua resistência para fazer o bem em Harlem, bairro ameaçado por gangues de traficantes de armas, políticos e policiais corruptos. É possível contar nos dedos os personagens corretos da série. A criminalidade está inserida em todas as partes, e não demora muito para acontecer algo que convença o protagonista a usar seus punhos para quebrar paredes, armas, bandidos, e permitir que todos o acertem com tiros, só para passar o aviso de que ele não será derrubado facilmente. As cenas de brigas são bastante violentas, e algumas lembram cenas de Demolidor que foram inspiradas no filme sul-coreano Old Boy.


Existe uma hierarquia entre os vilões, e Cornell “Boca de Algodão” Stokes não está no topo da lista de malfeitores, mas sua ambição e frieza o movem para passar por cima de cada obstáculo. O vilão é um grande chefe de quadrilha, e dono do Harlem’s Paradise, casa noturna onde ocorrem as melhores festas do bairro e se apresentam os melhores músicos.

Até a metade da série, episódios mostram muito do passado de Luke, sua passagem traumatizante na prisão, e o que o tornou à prova de balas. Flashbacks ocorrem com frequência, e a parte que retrata o passado de Luke é a mais comovente. Boca de Algodão também possui cenas para mostrar a difícil relação familiar que ele e sua prima Mariah Dillard, que se tornou uma política das mais corruptas de Nova Iorque, passaram durante a adolescência. Duas grandes reviravoltas ocorridas em apenas um episódio marcam uma mudança radical na série, e Harlem passa a ser controlado e ameaçado por uma tríade de vilões que, mesmo não concordando entre eles, geram e mantém um grande caos e poder, cuja resolução é quase impossível de se imaginar, sem falar que as prazerosas cenas musicais na casa noturna se acabam, e todo aquele jazz.

A série consegue com louvor inserir o espectador à cultura negra suburbana de Nova Iorque através da boa música no Harlem’s Paradise, a relação entre os clientes na barbearia do Pop, onde é proibido falar palavrão com a pena de depositar dinheiro na lata dos palavrões, e até momentos religiosos. Existe um pequeno núcleo de belas mulheres que gostariam de chamar Luke para “tomar um café”, fazendo os outros questionar o motivo das mulheres quererem um homem sem dinheiro e sem ambições. Não há sensualidade demais, e na maioria das vezes é o corpo do Luke usado em momentos de nudez. Luke Cage está sempre usando roupas justas, marcando sua silhueta, e usa até ternos. Há cenas do herói sem camisa, exibindo ombros largos e um peitoral musculoso.


Não é surpresa alguma dizer que a personagem de Rosario Dawson, Claire Temple, presente em Demolidor e em Jessica Jones, retorna em Luke Cage, agora com mais cenas e mais trabalho do que nas outras séries. No começo, a enfermeira parecia apenas uma personagem que aparece convenientemente na hora certa e no local certo, mas ela acaba crescendo e tendo muito mais importância que simplesmente medicar certos personagens. Mesmo sendo uma coadjuvante, Claire tem tanta importância e profundidade quanto os protagonistas.

Pessoalmente, Luke Cage não está à altura de Demolidor, mas supera Jessica Jones em muitos aspectos. Assistir em maratona pode se tornar cansativo, mas a série é bem aproveitada e prazerosa se assistida em um ritmo pausado. Como ocorreu com Demolidor e Jessica Jones, Luke Cage enfrenta ameaças do submundo que estão fora do alcance de heróis como Capitão América e Homem de Ferro. Ameaças como corrupção entre policiais, políticos e gangues, que enfiam e torcem a faca no ponto mais fraco de uma comunidade, e apenas alguém que já tenha passando a vida sentindo essa dor saberia como reverter a situação. Mesmo tendo como protagonista um homem com pele a prova de balas, Luke Cage se torna realista e plausível por enfrentar males com fins de poder financeiro e político.

Luke Cage entrega uma série de ação sobre crimes com ótimo roteiro, direção e atuação e é altamente recomendado para quem curte super-heróis e de certa forma está cansado de ameaças de destruição do mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário