Catarse | Entrevista com Marcelo Alves, roteirista do Mangá Machado de Assis: Caçador de Monstros


Olá pessoal, quem nos acompanha faz um tempo sabe que aqui no Nerdbucks a gente sempre procura incentivar os autores nacionais. Sempre trazemos obras criadas em terras tupiniquins e que apresentam bastante qualidade e ultimamente estamos mostrando algumas obras que estão no Catarse e precisam de sua ajuda para sair do papel (ou para sair em papel). É o caso do mangá Machado de Assis: Caçador de Monstros, com roteiro de Marcelo Alves e arte de Sami Souza.

Machado de Assis: caçador de monstros é um mangá que nasceu da ideia de popularizar os personagens literários mais famosos como Brás Cubas, Lobo Neves, Quincas Borba, entre outros, junto ao público mais jovem, em uma época pouco conhecida pelos brasileiros: a juventude de Machado de Assis e o Rio Antigo.

Na história, Machado de Assis é um jovem escritor proeminente que recebe do seu mentor, o Conselheiro Aires, a difícil missão de expurgar os monstros que pretendem vir ao Brasil para estabelecer uma nova Ordem da Noite Eterna, uma antiga sociedade secreta que busca reerguer-se. Uma série de assassinatos ocorre na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1867 ao mesmo tempo em que um certo duque inglês vai reinaugurar a outrora próspera Casa Wilkinson de Comércio. Para investigar, ele conta com a ajuda dos seus fiéis companheiros de aventura: Brás Cubas, o boêmio-armeiro, quem cuida dos seus equipamentos, e Quincas Borba III, um hipopótamo reencarnado em um gato.
E para que vocês possam saber um pouco mais sobre a obra, entrevistamos Marcelo Alves, criador e roteirista do projeto. Confira na íntegra:

Murilo Burns: Primeiramente, nos conte como que surgiu a ideia de fazer Machado de Assis – Caçador de Monstros.

Marcelo Alves: Tive a ideia há uns dois anos por que queria escrever sobre o Rio Antigo (século XIX). Acho essa fase do Rio de Janeiro muito interessante e pouco explorada. E como sou fã de Machado de Assis me ocorreu pensar nele como um personagem, ainda jovem. Existe pouco material sobre a juventude dele, o que me abriu uma possibilidade imensa em criar uma ficção. Daí para misturá-lo com seus personagens foi um pulo.

MB: Por que a escolha do formato mangá?

MA: Acho que o projeto em si é ousado e fazê-lo no formato mangá seria mais ousado ainda (risos). Mas a principal razão é que, opinião também de estudiosos sobre o assunto, hoje é o mangá que está formando uma nova geração de leitores de quadrinhos. Então tomei esta decisão, pois acho que valeria a pena dialogar com os leitores a partir desse formato. E também por que acho que em termos de narrativa e do que está sendo produzido hoje há um espaço imenso e rico de possibilidades na elaboração de histórias no mangá.

MB: Como surgiu a decisão de colocar a obra no Catarse e o quanto você acha que eles ajudam o mercado dos quadrinhos nacionais?

MA: De início, o projeto foi elaborado para utilizar a Lei Rouanet, lei federal de incentivo à cultura. Um projeto maravilhoso com várias contrapartidas sociais, incentivando a leitura e o mangá nacional. Ficamos um ano buscando patrocínio junto às empresas, mas não conseguimos. Isso me deixou triste. É muito difícil o contato e o diálogo com as empresas. Posso dizer que a maioria não conhece a lei, não sabe o potencial, inclusive para a própria empresa. Aí resolvemos buscar o financiamento coletivo quando percebemos que as pessoas, nas redes sociais, pediam por isso e comentavam sobre este projeto. Fizemos algumas pesquisas e tivemos de remodelar todo o projeto. Ajuda e muito a fortalecer o mercado independente, o financiamento coletivo, mas falta esse mercado ser absorvido pela indústria (que ainda é pequena aqui no Brasil). Faltam séries e personagens fortes que possam alavancar vendas. Vejo muita obra autoral, o que é ótimo!, mas sinto falta deste outro lado e o financiamento coletivo ainda não dá conta disso. E a indústria de livros e revistas, como falei, não absorve na mesma velocidade com que são feitos os projetos em plataformas como o Catarse.
MB: Não existem muitos mangás brasileiros famosos, qual você acha que é a principal razão para isso?

MA: Tem material, tem ilustrador, tem roteirista... O que falta? Ainda seguimos a mesma lógica do século XX, ou seja, sai mais barato publicar o que vem de fora do que produzir aqui e tentar exportar. A curto prazo (importar material) ganha-se muito, mas produzir, ver aceitação do público e depois exportar, exige um trabalho de médio a longo prazo que as empresas não querem fazer. Tudo aqui no Brasil é pra ontem e falta mesmo planejamento e visão de futuro. Acho que só uma nova geração de empreendedores e profissionais nos principais postos de comando nas empresas para mudar isso.

MB: Como tem sido a receptividade do público até o momento?

MA: O público está curioso, surpreso e bastante receptivo. Estamos com a campanha no Catarse e todo o processo é trabalhoso, como é a nossa primeira vez, tem sido uma surpresa pra mim, achei que fosse um pouco mais fácil (risos). Não é.

MB: Conte-nos um pouco sobre os personagens de Machado de Assis – Caçador de Monstros.

MA: Teremos Machado de Assis ao lado de Brás Cubas, Quincas Borba III, Lobo Neves e tantos outros (personagens de seu universo literário) num clima de mistério, suspense na cidade do Rio de Janeiro, em 1867. E monstros. E vai ser legal porque teremos a chance de mostrar um pouco da cidade, do escritor, com boas surpresas. Temos uma sociedade secreta, a Ordem da Noite Eterna que busca reerguer-se e se estabelecer no Brasil... Está sendo divertido montar este material.

MB: Para finalizar eu deixo um espaço livre pra você mandar um recado para os leitores ou qualquer outra coisa que queira falar (pode mandar beijo pra mãe, pro pai, pro cachorro...).

MA: Desde já agradeço pela oportunidade em apresentar este projeto. Vamos tirar do papel e colocar na mão do leitor. E desde o início, foi pensado para construir uma série, queremos estabelecer um universo narrativo e expandir aos poucos. E meu sonho é mostrar que podemos não apenas produzir, mas levar para outros países o nosso jeito de fazer mangá e mostrar a nossa cultura, como vemos e percebemos o mundo. E termino mandando um beijo para minha esposa Gisela e um abraço para o Gustavo Ns, Henrique Rodrigues e meus amigos e familiares. O apoio deles têm sido fundamentais.

Gostaram? Se quiser apoiar o projeto é só clicar aqui!

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