Catarse Com Batata | Cartas A Vapor [Entrevista Com os Criadores do Card Game]



A empresa focada em jogos Potato Cat, formada pelo casal Kevin e Samanta estão lançando no Kickante seu primeiro projeto chamado Cartas a Vapor. A trama do Card Game é baseada no universo literário de Brasiliana Steampunk criado pelo autor Enéias Tavares. O primeiro livro, chamado A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison, foi lançado pela Casa da Palavra e consiste numa espécie de Liga Extraordinária com personagens do cânone da literatura brasileira. Exemplos são Vitória Acauã, Isaias Caminha, Simão Bacamarte, entre outros. Todos esses personagens fazem parte da trama de Cartas a Vapor e estão belamente representados nas cartas ilustradas por Bruno Accioly. Mas, para falar sobre o jogo, ninguém melhor do que seus criadores, não é mesmo? Por isso decidi fazer uma entrevista com os responsáveis pela Potato Cat. Confiram a entrevista abaixo e não esqueçam de apoiar esse projeto maravilhoso no Kickante [clicando aqui].

Jéssica Lang: Primeiramente, vocês poderiam falar um pouco sobre como surgiu a Potato Cat? E, por favor, falem sobre a origem do nome!

[Samanta] A Potato Cat surgiu de uma forma engraçada. Éramos um grupo de 4 pessoas numa faculdade de Jogos Digitais, que adorava comer batatas fritas nos intervalos e falar sobre gatos. Em uma das disciplinas que tivemos, o professor pediu para criarmos uma empresa fictícia, e ela precisava ter um nome.

Espontaneamente, criamos a Potato Cat!

A empresa em si veio a surgir um tempo depois, quando de fato começamos a criar jogos e sentimos a necessidade de uma marca para surgir de vez no mercado.

[Kevin] Não éramos mais 4 amigos, mas um casal apaixonado por jogos e imerso na criação de Cartas a Vapor. Bastante responsabilidade para somente duas pessoas, eu diria, mas nos viramos bem. Com o tempo, alguns parceiros tornarem-se também grandes amigos e, na minha opinião, já tornou-se difícil dizer que a Potato Cat é formada somente pelos “Senhor e Senhora Meow”.


JL: Como vocês conheceram o universo de Brasiliana Steampunk, como surgiu a ideia?

[Samanta] Eu, particularmente, não conhecia nada de Steampunk até ler o livro A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison.

Tudo começou na Bienal do Livro de 2014. Havia uma roda de pessoas vestidas a caráter e expondo um livro de nome muito legal – e grande. Acabei convencendo Kevin a comprar o livro e a partir de então tudo mudou.

[Kevin] A verdade é que eu sempre tive um pequeno probleminha em conseguir terminar de ler livros. Por algum motivo desconhecido, eu sempre me esqueço deles passados os primeiros capítulos. Mas com A Lição de Anatomia foi diferente. Um daqueles raros casos – para mim – onde eu lembrava do livro o tempo todo, querendo lê-lo a cada nova oportunidade.

Analisando mais tarde o logo e toda a apresentação da Brasiliana Steampunk, senti que aquele universo não acabava nas páginas daquele livro. Quando me deparei com o site oficial, tive minha confirmação. A riqueza de conteúdo e a estruturação daquele universo me fizeram ansiar por mais e mais. E quando não havia mais o que ler ou ver, por que não criar? Então foi a minha vez de incomodar a Samanta até ela ler o livro para que, sintonizados, pudéssemos criar algo a respeito.

[Samanta] Brasiliana Steampunk me agradou por vários motivos: a temática steampunk – que gosto muito principalmente pela época que geralmente se passa -, a ideia maravilhosa de “reviver” os personagens da literatura clássica, que eu já gostava, mas agora gosto ainda mais, e por essa vontade de expandir e ter diversas maneiras de levar a arte para o mundo.

Pensando nisso, imaginamos que não haveria nada melhor do que iniciar uma parceria e criar um jogo com todos esses elementos fantásticos da série.


JL: E como foi o contato com o autor Enéias Tavares?

[Samanta] O contato com Enéias foi bastante inusitado.

Primeiro porque ele nos respondeu magicamente rápido. Segundo porque ele amou nossa proposta, mas rejeitou todas as ideias de jogos que havíamos proposto. Terceiro porque, ainda assim, ele manteve contato e demonstrou um interesse que nos animou muito.

[Kevin]A partir de então, um relacionamento harmonioso entre nós foi se construindo. Com Enéias sendo nosso entusiasmado guia de Porto Alegre dos Amantes, e nós como consultores do mundo dos jogos.

JL: Falem um pouco sobre o projeto Cartas a Vapor? Como foi o desenvolvimento do jogo e quais foram os maiores desafios até agora? 

[Samanta] Cartas a Vapor tem nos propiciado uma montanha russa de sensações. É muito gratificante ver seu projeto evoluindo, ganhando forma, sendo visto e jogado pelas pessoas e, o melhor, sendo bem aceito. Por outro lado, é um desgaste imenso ter que, como empresa pequena, participar de todas as etapas da criação de um jogo.

Não somos apenas game designers, apesar desse ser o ponto forte. Nós trabalhamos duro para conseguir investimento inicial dos protótipos e artistas, correr atrás de canais interessados em entrevistas e reviews, contatar lojas, aparecer nos eventos toda semana...

Mas, com certeza, o trabalho vem sendo muito bom. E é como dizem, as coisas mais difíceis são as mais gostosas de se conseguir.

[Kevin] O desenvolvimento de jogos, quando levado realmente a sério e com determinação, possui muito mais desafios do que aparenta. Não basta ter uma ideia. Não basta fazer as cartas, ou a programação, ou a arte. É sobre ter várias ideias, refazer várias cartas, debuggar muito código, avaliar muitos estilos de traçado. Sem contar os playtests e o balanceamento de tudo que existe no jogo. Além disso, fazer um jogo e deixar ele só no quarto da sua casa não vale a pena. Tem também inúmeros esforços de mostrar ao mundo o que você criou, e mais esforços de aceitar e usar o que o mundo tem a dizer.

Sobre esses assuntos, temos bastante material escrito no nosso blog, potatocatblog.wordpress.com. Atualmente, devido às correrias da campanha do financiamento coletivo, ele tem estado um tanto quanto parado. Mas isso é temporário. Qualquer dia desses ressurgimos com algum conteúdo novo para ele.


JL: Como é trabalhar com Card Games?

[Kevin] É uma grande missão, se levarmos em consideração que temos que condensar mecânicas, ambientações e diversos elementos em... Cartas. Além disso, tem também as bolhas que ficam nos dedos depois de recortar centenas e centenas de protótipos.

[Samanta] Para falar a verdade, não tenho tanto contato com Card Games. Nossa ideia inicial era fazer um jogo com alguns elementos diferentes, como tabuleiros e até mesmo um relógio, mas nossas reuniões acabaram nos trazendo à concepção do Cartas a Vapor – que se explica fácil já pelo nome.

Geralmente, as pessoas rapidamente associam Card Game com Magic, Yu-Gi-Oh! e outros jogos colecionáveis semelhantes. Nossa ideia não é essa. Temos um jogo que conta com um único pacote de cartas. Único e imenso, uma vez que são 234 cartas, fora as expansões.

[Kevin]Sabemos que existem muitos outros card games por aí de diversas complexidades, temáticas e mecânicas. Mas, à parte daqueles que já estão bem inseridos no hobby de jogos de mesa, quem realmente conhece essas obras fantásticas e divertidas? Nosso projeto, então, é também uma tentativa de aproximar leitores, alunos e curiosos desse universo tão “underground”.

Trabalhar com cartas tem seus prós e contras, como qualquer coisa. Em questões de custo, ele é uma boa sacada, pois peças e miniaturas são um gasto que uma empresa iniciante provavelmente não vai suportar. Por outro lado, é preciso muita cautela e criatividade para não permitir que as pessoas olhem o jogo com menosprezo, como um joguinho rápido e sem grandes emoções.

É uma experiência, sem dúvidas, bem desafiadora! 

JL: Há outros projetos em andamento?

[Samanta] Há sim, e não vejo a hora de poder leva-los para frente também. Mas, um passo de cada vez.

Estamos gastando todo nosso tempo com o Cartas a Vapor para que nada fuja dos trilhos.

Mas temos ideias engavetadas e, algumas, com um bom avanço. A maioria delas são de jogos analógicos também, e que prometem desde doses de fofura com Fuinhas Assassinas, até a vontade insaciável de matar seus amigos com a interpretação de personagens de Edgar A. Poe. Tem muita coisa pela frente, isso eu garanto, mas vamos deixar a curiosidade ficar mais forte, porque Gatos adoram quando humanos sentem a curiosidade na pele.

[Kevin] Temos, inclusive, alguns projetos de jogos digitais. Mas se já é difícil ter tempo e organização para coordenar uma equipe que consiste em game designers e artistas, adicionar programadores a esta fórmula é ainda mais complicado. Tudo dependerá bastante do futuro próximo, mas garanto que, cedo ou tarde, estaremos com lançamentos nas telinhas de diferentes tipos de dispositivos.



Essa foi a entrevista com os criadores do gato batata. Mais uma vez, não deixem de curtir a página da Potato Cat para acompanhar os lançamentos e as novidades. E não esqueçam de apoiar o projeto no kickante.

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