Review | Layers of Fear (PS4, XBox One, PC)


É muito comum artistas se depararem com bloqueios e falta de inspiração, podendo ocorrer com artistas do mundo da música, da literatura, da pintura, entre outros. Em Layers of Fear, o jogador está no controle de um pintor enfrentando problemas de inspiração e bloqueios artísticos, para finalizar sua obra prima.

Explorando a assustadora mansão do artista, deve-se desvendar quebra cabeças e encontrar documentos, fotos e bilhetes para solucionar enigmas, tanto da história quanto do desenrolar do game.

O aspecto mais interessante deste título são os cenários e como eles são explorados, solucionando os quebra cabeças. Corredores, quartos, salas, e muitos outros cômodos da mansão são cheios de detalhes de uma casa antiga, com decoração retrô e poeira estacionada sobre os móveis. O mais interessante é que cada cômodo possui quadros muito únicos e simbólicos, pinturas que aparentam ter algo profundo a dizer. Durante maior parte da exploração, nos deparamos com mudanças drásticas, como se o personagem estivesse sofrendo alucinações. Por exemplo, estar em um hall com várias portas, entrar em uma delas para solucionar um enigma em uma sala, e ao voltar, o jogador se deparar com um corredor ou sala totalmente diferente do hall onde esteve anteriormente. Este aspecto é uma ideia inovadora que enriquece e aumenta, até demais, o clima de horror na experiência do game, mas é aí em que alguns problemas começam a surgir, especialmente enquanto desvendamos segredos. É comum estar desvendando um quebra cabeça complexo e interessante, e acabar perdendo o progresso apenas por explorar o cenário, e encontrar outro no lugar de onde se estava solucionando o enigma, e há locais em que apenas olhar para o lado faz mudar o cenário fora do alcance da visão.


Outro problema causado pelo que deveria ser a maior qualidade do game é o fato de que o horror e o medo são forçados. Em games de terror como Outlast e Amnesia, o horror e medo estão presentes para salientar a gravidade do que está acontecendo, e fazer o jogador agir, fugindo ou enfrentando. No caso de Layers of Fear, o horror está para incomodar. Depois de começar o game, não demora muito para as alucinações começarem, e elas vão até o fim do jogo, interrompendo quebra cabeças e atrapalhando a exploração, tornando o título um mero simulador de caminhada em uma casa assombrada, sabendo-se que a qualquer momento algo assustador vai aparecer na tela com um barulho forte. Estes sustos são frequentes, e não muito relevantes na história.

Pessoalmente, o que mais me irritou, foi um susto descaradamente copiado de um dos momentos icônicos de PT Silent Hills, demonstração de novo game da Konami que infelizmente foi cancelado. E este susto ocorre em Layes of Fear três vezes no decorrer do game, todos da mesma maneira.


Veredicto

Games de terror muito parecidos e genéricos, e com visão em primeira pessoa estão aparecendo em grande número, especialmente na Steam. Layers of Fear não tem nada de genérico, com uma direção de arte magnífica aplicada em cenários góticos e escuros, todos com o toque artístico do protagonista. As alucinações ocorrem de maneira muito inovadoras, enriquecendo a identidade do título, e quase arruinando a experiência por forçar o medo e interromper soluções de enigmas, tornando a obra apenas um passeio por uma casa mal assombrada.

Nota: 6,5

Ficha Técnica
Título: Layers of Fear
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC
Produtora: Bloober Team
Distribuidora: Aspyr Media

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