Beast: The Primordial | Alimente Seu Monstro Interior


“OS PESADELOS SÃO REAIS. Seu coração não palpitou em seu peito quando eu proferi estas palavras? Pois deveria. Esses horrores com os quais você sonhou durante toda a sua vida - um abraço forte te arrastando para o lodo, a coisa com presas e pernas demais espreitando do escuro, o suave e silencioso assassino investindo contra você do céu aberto - é tudo real. Mas não tema, meu irmão. Você nunca mais terá de acordar com medo. Nunca mais. OS PESADELOS SÃO REAIS... e você é um deles. Agora, vamos nos banquetear."

Voraz. Visceral. Enervante. Criaturas que foram criadas a partir de pesadelos, moldadas para espalhar terror pelo mundo. Monstros donos de uma fome infinita que tiveram suas almas humanas arrancadas e substituídas por bestas, grandes monstros legendários, como dragões, grifos, gigantes e criaturas ainda mais obscuras. Você é uma Besta que renasceu em um momento de puro terror. Os Sonhos Primordiais (Primordial Dreams) são reais e você pode visitá-los durante o sono, mas a maioria das pessoas não. Sua missão é de ensinar. Ensinar lições de medo. Mas conhecimento vem a preços altos e você, Filho da Mãe Sombria (Dark Mother), está lá para cobrar pela verdade e alimentar o Horror que há dentro de você.

A noite em que você aceitou esse compromisso, você foi Devorado (Devoured). Você satisfaz sua Fome (Hunger) e deixa Pesadelos (Nightmares) no caminho por onde passa. Você constrói e alimenta seu próprio espaço, seu Covil (Lair), um pequeno recorte do Sonho Primordial (Primordial Dreams). Conforme esse espaço cresce, seu poder aumenta e seus Pesadelos (Nightmares) começam a se tornar mais intensos.

Esta é a terrível premissa de Beast: The Primordial. Um jogo arrasador e vorazmente sexy de apetite sem fim.


Horror

É um monstro do Sonho Primordial que emerge para se unir ao sonhador. Quando a conexão acontece, nasce a Besta, ou uma Progênita (Begotten), que é como elas referem a si mesmas.

Covil (Lair)

Após a conexão com o Horror, a Besta encontra-se em seu Covil. Este reflete a sua natureza bem como a natureza do Horror. Se ele tem uma origem aquática, por exemplo, o Covil pode ser submerso. Conforme a Besta alimenta sua Fome e explora o mundo sobrenatural ao seu redor, seu Covil expande, transformando-se de um simples lugar de reflexão em um pequeno mundo complexo cheio de perigos para possíveis invasores desavisados.

Fome (Hunger)

As Bestas devem suprir a Fome de seus Horrores. Um anseio constante que pode vir de várias formas. Esse anseio pode ser interpretado de maneiras diferentes. Uma Besta pode ter Fome por caçar e matar. Fome por punir transgressões. Ou Fome por “consumir” metaforicamente a confiança de alguém.

Herói (Hero)

No passado, os heróis eram aquelas pessoas que guiavam a população no conhecimento sobre o medo, sobre o medo deixado para trás pelos Pesadelos das Bestas. Eles guiavam as pessoas e as ajudavam a entender esses medos. Heróis poderiam ser juízes, líderes, xamãs, santos. Hoje o medo vem de uma maneira diferente, as pessoas reagem a ele com uma aversão reflexa natural. O papel dos heróis mudou da mesma forma. Eles não são mais as figuras que estão aqui para guiar as pessoas, e sim para caçar os monstros. Eles experimentam os Sonhos Primordiais, mas não aprendem com eles, como as Bestas. Eles entram nos sonhos e escorregam de um sonho para outro. Eventualmente acabam encontrando um Horror e encontrando seu propósito: matar essas criaturas abomináveis, proteger as pessoas.

Pesadelos (Nightmares)

As Bestas são capazes de aterrorizar os humanos criando Pesadelos. Eles começam como sensações criando força e podem virar terrores mais atrozes, quebras da realidade que dão lugar a amostras do plano dos Sonhos Primordiais.

Legados (Atavisms)

Enquanto os Pesadelos são expressões da Besta, os Legados são expressões do Horror. Permitem acesso a poderes e habilidades que fazem parte da natureza do Horror, como a regeneração da hidra, o fogo de um dragão, etc.

Progênies (Broods) e Heranças (Inharitance

Progênies são as organizações das Bestas em um grupo. As Heranças são status que elas podem atingir de acordo com certas condições. Dividem-se em Encarnados (Incarnate), Irrestritos (Unfettered) e Impetuosos (Rampant).

“Uma dia, quando Gregor Samsa acordou de um sonho estranho, ele encontrou-se em sua cama transformado em um terrível inseto.” - Franz Kafka, A Metamorfose

Bestas

As Bestas são divididas tanto em Famílias (Families), como pela sua Fome (Hungers). As Famílias advém do tipo de pesadelos com os quais a humanidade sonhou. Esses pesadelos deram forma às mais variadas Bestas, no entanto, elas ainda mantém alguns aspectos básicos. A partir desses aspectos, elas são divididas em:

Anakin, Pesadelos da Desesperança (Nightmares of Hopelessness): predadores implacáveis. Elas não podem ser detidas, são o próprio conceito de poder encarnado. As maiores, as mais rápidas, as mais mortais, elas são as Gigantes. Vivem pela caça e pela matança. O horror: Anakin se manifestam na forma de algo maior e completamente amedrontador. Essa manifestações pode ser física, na forma de uma criatura gigante e invencível ou de uma forma psicológica, onde a esperança é sufocada, levando a vítima de volta para memórias onde ela se sente presa e desesperada.

Eshamaki, Pesadelos da Escuridão (Nightmares of Darkness): essas bestas representam o medo que toma suas vítimas em solidão, que faz elas sentirem arrepios na espinha, que faz elas se sentirem observadas, que desperta o terror que as diz que há algo espreitando dos cantos escuros. Aquelas que Vivem Na Sua Sombra, assim foram chamadas pela Mãe Sombria. 

Makara, Pesadelos do Abismo (Nightmares of the Depths): no sangue dessas bestas corre a força das águas densas e sombrias. Aqueles que olham para elas, sentem um pequeno arrepio de medo, medo de se afogar e se perder nas suas profundezas. Mas não é só isso, não é apenas o medo de ser arrastado ou consumido pelas ondas, não é apenas a pressão estonteante, é também o conhecimento. Conhecimentos perdidos arrastados pela maré. Templos e histórias submersas. Elas são as Rainhas das Profundezas e são as predadoras de tudo o mais: humanidade, natureza, continentes inteiros.

Namtaru, Pesadelos da Repulsa (Nightmares of Revulsion): elas são monstros e sabem disso. Desejam que todos conheçam a verdade, ou pelo menos parte dela. Elas apreciam a caçada e o medo mais do que qualquer coisa. Gostam de saber que as presas estão correndo por causa delas. Elas são Górgonas e a Mãe dos Monstros as presenteou com um tipo único de beleza.

Ugallu, Pesadelos da Exposição (Nightmares of Exposure): essas bestas se escondem à vista, nos céus das cidades. São a Mãe Corvo. Elas causam em suas vítimas aquele sentimento incomodo e aterrador de se sentirem expostas, absolutamente desprotegidas. Sem abrigo, sem roupas, sem comida. Completamente Vulneráveis diante dessas predadoras vistas somente em vislumbres em sombras no chão.

Fome

Há vários tipos de Fome diferentes. No entanto as ideias principais podem ser resumidas em grupos maiores assim como as Bestas são organizadas em Famílias a partir de conceitos mais gerais e abrangentes. Os tipos de Fome (Hungers) são:

Tyrants, Fome por Poder (Hunger for Power): Bestas que poderiam ser adoradas como Deuses, vivem para subjugar suas vítimas e mostrar a elas seu terrível e inevitável destino frente a tamanha força. A lição que ensinam é a de mostrar às pessoas os seus limites. Essas Bestas vivem para demonstrar sua superioridade e a forma com que elas caçam demonstra isso. É claro que uma demonstração direta de poder serve, como pressionar e intimidar alguém, mas existem métodos mais elegantes e sofisticados. Um advogado vencendo um caso, um lutador humilhando seus oponentes, tudo é uma demonstração de poder.

Collectors, Fome por Riqueza (Hunger for the Hoard): são verdadeiros dragões ambiciosos cercados por tesouros infinitos. Sua ganância é um reflexo da ganância humana. Todos os Collectors clamam por coisas físicas que podem vir em diversas formas, como ouro, diamante ou arte. A verdadeira importância, no entanto, está no valor que as pessoas atribuem a essas coisas. Sua Fome pode ser alimentada através do roubo direto ou não. Um chefe que rouba de seus funcionários, por exemplo. Collectors ensinam que nada dura para sempre.

Predators, Fome pela Caça (Hunger for Prey): algumas predadoras são sutis, esgueirando-se pelas sombras e esperando pacientemente, enquanto outras preferem atrair e encurralar suas vítimas. Algumas preferem até mesmo brincar com elas, capturando-as e soltando-as, deixando que elas tenham esperança. O importante é a caçada. Ao contrário da Fome pelo Poder, a vítima nem precisa necessariamente saber o que está acontecendo. Os Predators ensinam a lição da mortalidade.

Nemeses, Fome por Punição (Hunger for Punishment): enquanto as crianças sabem que devem temer o Bicho-Papão, os adultos se esquecem que tudo tem um preço. Um erro e elas virão cobrar o pagamento. Os alvos variam conforme a natureza da Besta. Assassinos, estupradores, não importa. O importante é demonstrar o quão dolorosa uma escolha pode ser. A lição pode ser tanto demonstrar para as pessoas que regras existem, como também, ironicamente, demonstrar que as regras não importam tanto assim. Como? Punindo pessoas justas e boas, ensinando a elas o quão cruel o mundo pode ser. 

Ravangers, Fome por Ruína (Hunger for Ruin): alguns monstros não são lembrados como criaturas, mas como desastres naturais. Um furacão que passa arrastando uma cidade e deixando nada mais do que ruínas para trás. Elas se alimentam da destruição. Eles podem escolher tanto lugares, quanto pessoas específicas. Mas eles não sentem prazer com a morte de um único indivíduo e sim pelo caos deixado para trás. Por exemplo, assassinando uma pessoa que seja o pilar de uma organização. A lição? A vida é um caos e a morte pode atacar a qualquer momento.

Outros Aspectos

As Bestas podem herdar Horrores específicos. Por exemplo, ela pode ser, não apenas uma Górgona, mas a própria Medusa.

Todas as Progênitas (Begotten) vem de linhagem que percorre um longo caminho até a Mãe Sombria. Elas possuem certo sentido de comunidade. E são monstros, não negam isso. Porém, elas buscam comer para viver e não o contrário. Elas são mais do que os Horrores que vivem dentro delas. Bestas são mais do que a Fome que sentem. Elas usam isso para ensinar as pessoas e tentam se questionar sobre como a Fome e a Caça delas afeta o mundo.

Saciedade (Satiety)

É uma característica chave na ficha de uma Besta. Representa a habilidade da criatura de entender e se reconciliar com os humanos e a sociedade ao redor. Elas começam o jogo com o nível mínimo de Saciedade em 2 e o máximo em 7. O livro oferece algumas perguntas que o jogador pode responder para determinar o nível de Saciedade do seu personagem, como o quão frequente ele se revela ou o quão difícil é para ele saciar sua Fome.

Durante o jogo, o personagem deve sempre manter seu nível de saciedade moderado. O nível mais baixo, ou seja, 0, quer dizer que ele sai do controle. Precisa saciar sua fome a qualquer custo, como num frenesi. Quando o contrário acontece, ou seja, o nível da sua saciedade vai a 10, a alma da Besta adormece. É como se o personagem perdesse sua natureza sobrenatural, incluindo todos os seus dons. Quando o nível está equilibrado, a Fome está saciada. O que não significa que seu personagem não sofra com a gula. Particularmente, acho o mecanismo interessante porque não existe um equilíbrio ideal. A Besta está sempre a beira do precipício.


Este é um jogo complexo e cheio de pequenos mecanismos. Há várias histórias dentro do livro, inclusive da perspectiva de outras criaturas do Mundo das Trevas, como Changellings, Vampiros ou até mesmo Demônios. A arte do livro é estonteante e o texto é muito gostoso de ler.

A natureza do jogo, na minha visão, não está muito longe da nossa natureza. Ser humano é ansiar e as Bestas apenas amplificam isso. A vida, a nossa vida, é feita de desejos. Desejo por dinheiro, amor, amizade, família, carreira, comida, felicidade, vingança. A vida é um fluxo interminável de desejo e no final nos resta a angústia. A angústia de um desejo não consumado, ou a angústia de um desejo que foi consumado num momento breve que inevitavelmente acaba.

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