Star Wars: Rogue One e as "protagonistas de fôrma"


Antes de escrever esta postagem eu fiz um pequeno experimento no facebook, porque nem sempre posso me levar somente pela minha opinião, sob risco de falar bobagem.

Vi o trailer do Star Wars: Rogue One, vi umas 3 vezes seguidas na verdade, tentando absorver detalhes, referências, para conseguir compreender se o que eu percebi de primeira foi cisma minha ou não.

Felizmente meus amigos corroboraram bem a minha impressão e eu me senti mais confiante para escrever sobre uma preocupação minha: sobre o quanto a protagonista do Rogue One parece com a Katniss e com outras personagens de distopias Young Adults nos poucos momentos em que ela aparece.

Isso me deu um pouco de medo, pois pode-se acreditar que se encontrou uma fórmula e que ela facilita a vida dos roteiristas.

Quero comentar as razões pelas quais acredito que isso pode ser um problema para o protagonismo feminino e o quanto isso pode ser um precedente muito perigoso.


O dobro de críticas e a metade da glória


Uma das questões mais importantes sobre protagonistas femininas dentro de mídias Sci Fi: elas vão ser criticadas, duramente, pela fanbase machista. Isso acontece nos EUA com muito mais força e aqui no Brasil, como todos os nossos preconceitos, de forma mais velada e, por isso mesmo, mais cruel. Já que dessa forma é possível inclusive acusar a vítima do preconceito ou do abuso psicológico de louca (isso tem até nome bonito: gaslighting).

Os principais argumentos é que uma protagonista feminina (ou negro, ou qualquer coisa fora do branco/hétero/CIS que foi o padrão vigente) só existe graças a uma dita “agenda de justiça social”, ou ainda que as personagens que fogem do padrão que se espera de uma mulher dentro do ambiente da história sejam construídas porcamente, sem sentido, poderosas simplesmente para agradar alguém. A isso é dado o nome de Mary Sue.

Já percebemos que existe uma verdadeira prova de obstáculos que estas personagens precisam passar e o que a gente, que realmente quer ver mulheres em papéis de protagonismo nos filmes deseja? Que elas prosperem! Que elas quebrem estes obstáculos para que próximas tenham mais facilidade para chegar aos corações do público.

E foi por isso que eu fiquei um pouco desconfiado do trailer lançado.


Similaridades que podem ser um problema

Em diversas cenas do trailer, várias pessoas perceberam referências claras demais à outras personagens em situações parecidas. Vemos a protagonista Jyn Erso muito próxima de Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, e Tris, de Divergente.

O problema não é elas terem sido base para a personagem e sim o fato de que estas referências estão um pouco “na cara” demais. O que nos leva a comparar ao estado de suspensão de crença, onde a credibilidade da personagem é afetada por fatores alheios , inclusive, à interpretação da atriz.

Pode ter sido os cortes da edição, pode ser que outros trailers e o filme em si traiam essa primeira impressão e possamos assim aproveitar mais uma protagonista maravilhosa e ousada nas telas, para desespero de alguns, mas alegria de todos que sabem da importância da representatividade.

Esperamos mesmo que a Disney não tenha caído na armadilha das formas e fórmulas, e que Jyn Erso seja mais uma personagem memorável para essa franquia fantástica de filmes.

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