Resenha | A Procura de Vida Inteligente (Victor Allenspach)


Sinopse: Sem motivo, explicação ou bom senso do criador, uma mensagem surge diante de todos os seres do universo. O fim dos tempos é anunciado, e não há nada que possa ser feito para impedi-lo. Porém, de uma estranha forma, tudo está ligado a Boris.

Boris não nasceu. Também não foi criado ou educado. Como tantos outros, ele apenas foi produzido e programado. Nada que o incomode em particular, mas está sempre diante do risco da reciclagem. Um risco comum em uma realidade onde a mais antiquada cafeteira é capaz de calcular as interações gravitacionais de um fóton atravessando o Sistema Solar.

De figurante a protagonista, séculos se passam à espera de uma oportunidade. Na busca por liberdade, Boris sequer imagina que já a alcançou a muito tempo, mas optou por uma existência cheia de limites e algum significado.

Porém, o fato é que os contadores de histórias insistem que no começo a humanidade despendia a maior parte de sua economia em água gaseificada com açúcar.

A Procura de Vida Inteligente foi uma grata surpresa em um período em que estou buscando ler um pouco mais as obras nacionais (principalmente de ficção científica). O livro foi escrito por Victor Allenspach, e seu lançamento ocorreu devido ao próprio esforço do autor, que o publicou de forma independente.


O livro é formado por vários contos que são interligados por um único personagem: Boris. O personagem é um androide dotado de um comportamento peculiar, que acaba nos trazendo vários questionamentos já explorados por outros autores da ficção científica. Será que uma inteligência desenvolvida artificialmente pode adquirir vontade própria? Por que cada vez mais nós buscamos criar máquinas similares aos humanos? Essas e várias outras questões conhecidas retornam a tona a medida em que vamos lendo.

Naquele dia Sasha soube o que seus pais e todos os pais escondem de seus filhos: O risco de ser inútil. Não que realmente alguém possa ser inútil, mas o fato é que algumas pessoas nascem na hora errada. Talvez tenham uma aptidão incrível para desbravar florestas tropicais, ou para viagens em grandes veleiros. Apenas não são úteis para o mundo em que nasceram.

Mas aí você me pergunta: Mas então o que o livro tem de especial? Simples, ele faz isso com maestria usando um humor bem parecido com o de Douglas Adams. O próprio Allenspach em seu site diz que tem Adams como influência. Mas eu diria que esses questionamentos referentes aos robôs e inteligências artificiais também lembra um pouco o que vemos em livros de Isaac Asimov.

Não é lógico abrir mão de um acordo lógico. Porém, da mesma forma que humanos conseguem raramente tomar decisões lógicas, o que impediria um androide com personalidade de tomar uma decisão ilógica?

Os contos também trazem vários outros questionamentos sobre coisas diversas (como podem ver nas citações usadas nessa matéria), todas escritas de forma cômica, mas sem deixar de serem inteligentes.

Pode-se dizer que A Procura de Vida Inteligente é um livro que une de forma harmoniosa um estilo questionador que lembra o professor Asimov, com o humor inteligente de Douglas Adams, tornando-se uma pérola da ficção científica nacional. As editoras devem olhar para esse autor que demonstrou um grande potencial em sua primeira obra, quero mais.

A Procura de Vida Inteligente foi cedido por Victor Allenspach ao Nerdbucks. Acompanhe as novidades da Autor:
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Ficha Técnica
Nome: A Procura de Vida Inteligente
Autor: Victor Allenspach
Editora: Lançado de forma independente
Páginas: 196
Onde Comprar: Site do Autor, Amazon (eBook).
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