Reviewzin do Tavitin | O Tigre e o Dragão: Espada do Destino


Bom dia, boa tarde, boa noite!

Está na hora de mais um: Reviewzin do Tavitin! Hoje vou falar sobre o novo lançamento pela Netflix, "O Tigre e o Dragão: Espada do Destino".

Esse é um filme completamente inesperado para mim, visto que seu antecessor tem um espaço especial no meu coração pelas grandes falas, pelos personagens hipnotizantes, pela historia envolvente e pelo romance emaranhado junto com as cenas de ação e Kung Fu. O Tigre e o Dragão é um excelente exemplo do que eu acho que filmes no geral devem seguir, é quase uma película contemplativa, com cenas que proporcionam exatamente o tipo de emoção que procuro no cinema: angustia, felicidade, tristeza, alegria e adrenalina.


Com um patamar alto como este, posso dizer com bastante certeza que a sequência teria dificuldades em alcançar o nível de impressionismo do primeiro, principalmente com tantos exemplos de diretores que simplesmente perderam a mão nos filmes que tentavam continuar, com uma historia que não precisava de sequência. Então entendam meu temor e antecipação quando vi o trailer de O Tigre e o Dragão: Espada do Destino pela primeira vez. Seria incrível, ou seria terrível. Sem mais delongas vamos ao que interessa, para vocês o Trailer:


Minha Review será uma média entre todas as notas dos 6 critérios a seguir. Qualquer futura Review de películas desse tipo seguirá o mesmo padrão, os critérios e as notas serão os seguintes:


Notas:


5.0 - O melhor, referência, inovador, barroco, diferentão, desbravador, etc...
4.0 - Critério muito bem utilizado em uma película que captura sua identidade.
3.0 - Critério presente mas sub-utilizado.
2.0 - Critério está presente mas não convence o telespectador ou não sabe a própria identidade.
1.0 - Ausência parcial do critério na película ou má produção.
0.0 - Ausência total do critério na película.


Critérios:


1 - Efeitos especiais.
2 - Background e ambientação.
3 - Atuação de protagonistas e personagens principais.
4 - Atuação de coadjuvantes e imersão do telespectador na ambientação.
5 - Desenrolar da trama e qualidade da história.
6 - Utilização de técnicas teatrais ou de clichés cinematográficos.

Cuidado: Spoilers hard do filme 1 a seguir!


O Tigre e o Dragão: Espada do Destino é um filme de ação com um sub-tipo kung-fu clássico, onde os mestres das artes marciais chegam em patamares sobre-humanos de treinamento e meditação que os fazem capazes de quebrar algumas regras que consideramos imutáveis, vou dar um exemplo: todos se impressionam e acham incrível quando monges budistas são capazes de quebrar rochas com as próprias mãos ou simplesmente ignorar a dor completamente, agora imagine o que seria necessário para que esses mesmos monges ficassem impressionados e atordoados com algo sobre-humano conseguido através de treinamento? É exatamente essa a proposta, por isso que os personagens de filmes clássicos de Kung Fu são capazes de "voar" usando a "técnica de corpo leve" ou incapacitar oponentes com simples gestos e toques secretos, a proposta se estende ainda mais quando há personagens precavidos de algum sentido ou habilidade motora, onde a falta do mesmo transforma um mestre de Kung Fu em um oponente temível pois, apesar de ter perdido um sentido ou um membro, ele enrijeceu e fortaleceu todos os outros exponencialmente a ponto de ficar ainda mais perigoso, apesar da sua deficiência.


O filme começa com uma espécie de Ode ao seu antecessor, como se prestasse uma homenagem à obra que lhe deu origem, além de aprofundar a sensação de pesar que Yu Shu Lien (Michelle Yeoh) sente pela morte de Li Mu Bai. O filme faz um trabalho esplendido em rapidamente apresentar-nos aos personagens pivôs da história, como se já estabelecesse a sua principal equipe de personagens e já validasse com o espectador sua importância e relevância. É interessante os truques de filmagem do diretor Woo-Ping Yuen, os figurantes são exageradamente genéricos chegando ao ponto de até usarem máscaras para nos ajudar a identificar quem realmente deve ficar em evidência, e como se quebrasse essa regra o diretor adiciona estilos de combate com armas não-convencionais a esses capangas mascarados, passando a mensagem de que, apesar de genéricos, esses personagens são artistas marciais perigosos que testam nossos heróis e os colocam ainda mais em evidência, justamente por lidar com esses figurantes em poucos segundos de combate ou sem nem mesmo precisar levantar da cadeira.


A história é rapidamente processada e entendida, não há delongas quanto à motivação dos principais personagens: Yu Shu Lien, Silent Wolf e Hades Dai. Há, entretanto, o mistério e descobrimento da trama envolvendo todos os outros participantes, como se em paralelo o filme traçasse mini-histórias que se envolvem ao redor do plot principal. É fascinante como você consegue se identificar com os lutadores e se comover com cada um deles, realmente eu esperava que eles fossem quase como 'red shirts' ou como uma 'liga da justiça', totalmente descartáveis ou totalmente invencíveis, mas fui surpreendido sendo nenhum destes, mas algo entre eles. O que temos são personagens humanos, com defeitos, qualidades e muito mais frágeis que inicialmente apresentados, são formidáveis mas não são invencíveis.


O plot principal é rapidamente explicado nos trailers, tamanha sua simplicidade: Hades Dai quer ser o "rei do mundo marcial", que é como um mestre supremo de todos mestres, e para isso lhe foi apresentado a possibilidade de conseguir a lendária espada "Destino Verde", vista como objeto de desejo e admiração da mesma forma que no filme anterior, aumentando ainda mais o mistério e renome dessa arma e a ideia de que realmente pode turbinar a ascensão de quem possa tê-la em sua posse. Hades Dai não está sozinho, ele tem uma comitiva de lutadores capazes, além de uma legião de guerreiros mascarados à sua disposição, essa comunidade é chamada de "West Lotus" e é vista como uma ameaça, um grupo de salteadores e que a Espada deve ficar longe desse grupo quase terrorista para o bem de toda a China e do mundo marcial.


O filme procede como um simples filme de ação, não chegando aos pés dos romances vividos em O Tigre e o Dragão original. Isso pode ser visto ou como uma falha ou como um diferencial. Vejam só a dificuldade de criar uma sequência de um clássico: se fizer o filme muito parecido, será apenas uma cópia; se fugir muito do tema, não é uma continuação. Este dilema não é transparecido em "O Tigre e o Dragão 2", você realmente parece estar vendo um filme completamente novo, com outra proposta. Eu pessoalmente senti falta do amor utópico vivenciado por Li Mu Bai e Yu Shu Lien, assim como o romance jovem e a flor da pele Entre Jen e Lo. Em contra partida vemos personagens entrelaçados pelo destino, fadados a se reencontrar por condições impostas a eles há muitos anos atrás.

As interpretações de Donnie Yen (conhecido também como Yip Man) são muito convincentes e divertidas, como que em paralelo Michelle Yeon traz consigo uma dureza e pesar meditativos. Os Jovens Ngô Thanh Vân e Harry Shum Jr. convencem o espectador da imaturidade de seus personagens. No geral um filme de ação excelente, com efeitos especiais notáveis e cenas de ação divertidas (mesmo que um pouco exageradas devido ao estilo intrínseco do filme). Tentaram romantizar o filme e falharam miseravelmente, mas como esse ponto está em segundo plano não prejudica nem um pouco a diversão que a obra propõe. 100% recomendado para os NetFlixers de plantão!

Efeitos especiais: Nota 4.0

- Em alguns confrontos o efeito especial se destaca por demais, parecendo vídeo game, ainda bem que são apenas por alguns segundos.

Background e ambientação: 4.0

- De fato você se sente na mesma ambientação que o filme antecessor e isso é muito bom. O problema é que eles explicam e mostram apenas o suficiente para você saber que eles estão "no mesmo mundo" que O Tigre e o Dragão, ao invés de tentar expandi-lo e aprofunda-lo. Por exemplo vocês verão que um tal de "Iron Way" (meio que um Bushido, por assim dizer) que é comentado e explicado no filme, mas existem outros "ways"? Outras filosofias? Como dois guerreiros que trilham caminhos diferentes decidem uma disputa?

Atuação de protagonistas e personagens principais: 3.5

- Todos os atores entraram 100% em seus personagens, mas eu os achei muito previsíveis e tentaram incluir conflitos internos mas estes geraram tão pouco tempo de tela que não convenceram.

Atuação de coadjuvantes e imersão do telespectador na ambientação: 4.5

- Muito bacana, porém as massas faltaram um pouco de motivação para estarem morrendo/lutando aos montes na minha opinião. Ninguém vê mais da metade de sua tropa sendo despachada em menos de 5 minutos e continua lutando, honestamente, a menos que a motivação seja muito forte (e que não ficou clara ou não achei suficiente). Como são apenas coadjuvantes isso não é lá tão importante de mencionar em filmes de ação, mas digamos que a minha chatice me impediu de dar uma nota 5 nesse critério.

Desenrolar da trama e qualidade da história: 4.5

- Faltou um romance mais verdadeiro. Talvez esse seja outro que mereça 5, mas.. Nhé, sou chato.

Utilização de técnicas teatrais ou de clichés cinematográficos: 5.0

- A impressão que eu tive é que não houve técnicas teatrais ou clichés cinematográficos enquanto eu assistia esse filme. Analisando novamente eu consigo detecta-los como se estivessem na ponta do meu nariz. O diretor conseguiu colocar ritmo no filme sem salientar essas técnicas e clichés, fazendo o filme fluir tranquilamente sem a sensação de "bah, isso eles copiaram desse ou daquele filme". Nota máxima!

Nota final: 4,25


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