Sherlock: Baker street revistada com estilo


Sabemos quem nem todas as séries produzidas pela BBC possuem o reconhecimento devido no Brasil. Nenhuma novidade, já que eles seguem uma linha diferente de produção e inclusive de ritmo de trama, que muitas vezes desmotiva nossas mentes tão acostumadas com o ritmo desenfreado e raso dos filmes e séries americanos, em que as coisas na tela passam e não tem nenhum significado mais profundo.

Muitas vezes, porém, especialmente quando somos levados pela curiosidade, somos capazes de pensar junto com os personagens e muitas vezes levados a acompanhar uma série de forma muito mais interessante do que simples espectadores.

Sherlock, da BBC, passa essa impressão com maestria, dando a você a chance de reencontrar uma versão de Sherlock Holmes e seu amigo Watson em uma releitura potente, divertida e com todas as consequências do mundo moderno.


Por que é tão diferente?

Sim, é uma experiência bem diferente de uma série comum. Episódios bem maiores do que a média (na verdade praticamente o dobro de um episódio de série americana comum), com um envolvimento da pessoa muito mais divertido e emocionante do que poderíamos acreditar em um episódio tão longo.

Ao contrário, por exemplo, de séries americanas, que entram em “barrigas de história”, com episódios totalmente nonsense e enchedores de linguiça, Sherlock é profundamente sintética, oferecendo a história em uma linha narrativa quase de um filme, com início, meio e fim, criando uma experiência poderosa em casa história.

Além disso, as adaptações das histórias são profundamente interessantes, dando a sensação de uma história totalmente original, embora sintamos o gosto de adaptação no final, como a finalização de uma bebida bem destilada.


Sem dúvida alguma, a dupla de protagonistas ajuda muito nisto. Benedict Cumberbatch entrega-se a uma interpretação tão potente de Sherlock que muitas vezes é impossível pensar em qualquer outro personagem dele enquanto vemos a série. Martin Freeman, apesar de ainda parecer um pouco como um Hobbit dentro de Watson, passa uma visão um pouco diferente do homem que costumávamos conhecer, mais pragmático, mas muito menos “vítima da situação” ou “narrador passivo” das aventuras do investigador.

Como eu só vi a primeira temporada, não consigo ainda avaliar a potência total de Andrew Scott como Moriarty, embora o final da primeira temporada tenha me deixado totalmente perplexo, que é o que espera de uma série envolvendo Holmes. Já Mark Gatiss, como o irritante irmão de Sherlock, Mycroft, torna a coisa muito mais interessante ao explorar a relação entre os dois de forma pouco vista em outras histórias que eu já tenha acompanhado.

Finalmente, na minha opinião, Sherlock é uma representação muito melhor do personagem original do que o visto em Elementary, além de a série ser mais interessante como entretenimento.

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