Crítica | O Regresso (The Revenant)


Essa crítica não contém spoilers que possam prejudicar sua experiência com o filme.

Alejandro Iñárritu é uma mente inquieta que através de seus trabalhos busca atingir um objetivo maior chamado Oscar. Inegavelmente. Enquanto alguns de seus colegas que também concorrem a estatueta “arriscam-se” fazendo filmes menos grandiosos, Iñárritu, considerado o grande cineasta mexicano da geração, preserva sua assinatura que já lhe rendeu o cobiçado prêmio. 

Inicialmente vale destacar que O Regresso é uma produção que evidencia o valor da jornada do espectador, aquele momento em que você está curtindo o filme independentemente de seu final, pois assistindo o trailer do filme é muito fácil entender a história e prever seu final. E através de tal previsibilidade na história que a produção ganha seu primeiro grande elogio, pois a transição entre as obviedades do filme tem muita sustância e prendem a atenção do espectador. 

As cenas em plano-sequência utilizadas principalmente no início do filme são muito bem executadas, técnica que o diretor mexicano domina bem, lembrando que ele ganhou o Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção em 2015 por Birdman (A Inesperada Virtude da Ignorância), que também contém várias cenas que usam desse artifício. 

As gélidas montanhas canadenses, local escolhido para rodar o filme, são um personagem a parte. Existem dezenas de cenas meramente contemplativas, onde a câmera percorre um bosque, um rio, o céu ou simplesmente uma trilha de gelo, tudo para mostrar a grandiosidade, beleza e agressividade do local. 


Quanto as atuações, primeiramente vou destacar Tom Hardy, que sempre fez bons filmes, incorporando diversas personas, mas que não tinha em sua carreira uma atuação tão grandiosa como em O Regresso. O ator seguramente é o que mais fala no filme, e a captação de sua atuação é bem latente, pois a câmera sempre é posicionada muito próximo ao ator e assim podemos ver suas expressões faciais de muito perto. 


Expressões faciais, talvez outro grande “ator” do filme, pois contrapondo o personagem de Tom Hardy, que possui diversas falas, Leonardo DiCaprio tem pouquíssimas linhas de diálogo. Sim, a atuação que pode dar o primeiro Oscar a DiCaprio é um emaranhado de múrmuros e expressões faciais. E quando digo que ele possui poucas falas, estou falando de forma literal. Obviamente não fiquei contando, mas creio que Leonardo não possua mais que uma dúzia de frases curtas durante as duas horas e trinta minutos de filme. 

Toda sua atuação é baseada em expressões faciais, o que é muito condizente ao restante do filme. O Regresso é silencioso, é uma jornada contemplativa que foge totalmente aos padrões dos filmes atuais. O início e o fim do filme têm mais ação, mas o recheio, que ocupa quase duas horas se utiliza de um tom de calmaria e sobrevivencialismo por parte de DiCaprio, tal tom quebrado quando acompanhamos Tom Hardy. 

De forma geral é uma experiência que não ganha nota 10 porque existem alguns pequenos problemas no meio do filme, que abusam de alguns conceitos, mas que não diminuem a produção de forma alguma. É aquele clássico comentário que diz que se pudéssemos diminuiríamos tal conceito um pouquinho. Apenas isso. 

Filme altamente recomendável, com cenas fortes, muito drama e que explora a jornada do protagonista de forma única. Há grandes chances de O Regresso vencer a categoria de Melhor Filme no Oscar 2016, assim como o Melhor Ator Coadjuvante, brindando a belíssima atuação de Tom Hardy.

Quanto a premiação de Melhor Ator, é difícil cravar que DiCaprio ganhará, mas acho que tem grandes chances. Mas se não ganhar, vale lembrar que Leo é indicado quase que anualmente, ou seja, suas atuações são sempre dignas de serem as melhores. Entendo que é melhor ser indicado todos os anos, evidenciando uma carreira brilhante, do que ter uma indicação e um prêmio, mas limitar-se a isso.



O Regresso, dirigido por Alejandro Iñárritu, com Leonardo DiCaprio e Tom Hardy.

Nota: 9/10

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