“Dicas de Mestre”: como ser juiz e contador de histórias


Quando falamos de RPG de mesa, o cargo de mestre de jogo é cercado de uma mística muito grande, já que esta pessoa interfere, literalmente, muito mais na experiência das outras. Não que um jogador chato e “pentelho” não seja capaz de afundar uma mesa, mas um mestre tirano ou muito complicado com “bobagens”, ele definitivamente estraga a diversão de todo mundo.

Vamos falar de algumas ideias e conselhos para quem está começando a mestrar, em franca homenagem à Dragão Brasil e sua coluna chamada Dicas de mestre, que fez com que muitos de nós entendêssemos onde estávamos errando.

As pedras fundamentais de um bom mestre de jogo

Nem todo o jogador está pronto para ser mestre de jogo. Muitos ficarão fascinados pelo “poder” e acabarão estragando a diversão do grupo, outros pesarão demais a mão, outros serão suaves demais. Reuni as 5 dicas que acho fundamentais para qualquer mestre iniciante, para que os erros que ele cometa sejam, ao menos, épicos e divertidos para todos.


1 - Esteja pronto (ou ao menos pareça estar): antigamente se dizia que o planejamento de uma aventura era fundamental, e que você precisava estar pronto para todas as possíveis ocasiões que seus jogadores tivessem. Hoje em dia eu acredito mais em entender o que seus jogadores esperam. A descrição precisa ser mais clara? Eles têm dificuldade de entender? Tenha um banco de imagens em um note ou fotos impressas para que eles entendam. Eu me lembro de uma campanha de changeling the dreaming, que eu fiz me baseando em músicas do Cordel do Fogo encantado. Foi muito bom. Passar credibilidade em tudo que você diz sobre o jogo faz com que você tenha seus jogadores acreditando em você.

2 - Crie um mundo realmente interativo: Se você não quer que os jogadores interfiram com o seu mundo muito bem pensado, pare de jogar RPG e vá escrever um livro. Os jogadores DEVEM intervir com o mundo, pois isso é o que faz desse jogo algo tão poderoso. Não engesse seu mundo e cuidado com o excesso de guiamento ou de becos sem saída, pois os jogadores se sentirão manipulados e desestimulados pela falta de liberdade.


3 - Aprenda a moderar seus jogadores: Uma das maiores dificuldades de um mestre é o jogador “saidinho”, que quer roubar a cena geral e fazer com que o mais tímido não tenha também seu momento de brilhar. Não seja grosso, mas indiretamente jogue plots “no colo” do menos participativo para que ele tenha protagonismo. Os outros vão entender. Afinal vão ajudar e vão se sentir o máximo por suas partes. Dar desafios pessoais relacionados aos backgrounds dos personagens (mais sobre background no próximo item).

4 - Coordene e ajude na montagem dos personagens: Independente do nível de experiência dos seus jogadores coordene uma sessão só para a construção de personagens e entrelaçamento de backgrounds. Não é o mais comum, mas sempre faz com que os jogadores e os personagens estejam muito melhor relacionados. Crie um vínculo entre eles, para que a grupo não fique com cara de colcha de retalhos. Depois o trabalho de ficar costurando esses retalhos vai ser seu. E ainda tem grande chance de ficar feio.

5- Lembre-se que isso é um jogo. E lembre seus jogadores, quando eles esquecerem: O mestre de jogo é muito responsável sobre o clima em sua mesa. Se ele forçar um clima mais sério e compenetrado, pode afastar jogadores novatos. Se permitir conversa demais na mesa fora de fora do jogo, perde os jogadores. Resolva disputas da forma mais justa possível e tenha em mente que se deixou de ser divertido para alguém, vocês estão jogando errado.

Semana que vem tem mais sobre o Rpgzinho do nosso coração, falando de com quais livros e sistemas você pode começar a jogar!

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