Chora mais with lasers!!!



Ontem, com o lançamento de mais um trailer de Star Wars: O Despertar da Força, foi lançada também, nos EUA, uma campanha sobre um possível “genocídio branco” dentro da franquia. Tudo porque os protagonistas do filme são uma mulher e um homem negro.

Desde as primeiras cenas reveladas do filme, houve comentários idiotas sobre o quanto parecia “incoerente” termos um stormtrooper negro. Isso é profundamente ilógico quando falamos de um filme de ficção científica, com misticismos como a Força e armas fantásticas como um sabre de luz, além de naves espaciais movidas sabe-se lá por que tipo de  combustível (você não sabe? Relaxa, nem o George Lucas sabe, de acordo com lendas).

Por que será que esse tipo de coisa acontece? Bem, assim como em Star Wars, no nosso mundo, estes são novos tempos, e muitos estão inseguros a respeito disso.


O machismo no mundo nerd e Mad Max: estrada da Fúria


Não precisamos ir tão longe assim para perceber que a representatividade é uma crescente dentro da mídia em geral. Das reformulações dos super heróis dentro dos quadrinhos, que causaram furor entre os mais puristas, a filmes e games onde as mulheres finalmente pararam de ser retratadas como damas indefesas ou femme fatales sexys e pouco confiáveis, ou ainda os negros submetidos a todos os tipos de estereótipo (do negro sisudo e forte, que geralmente não tinha fala e só servia para apanhar e tomar tiro ao negro engraçado que sempre morre primeiro nos filmes de terror), a forma como os personagens estão sendo construídos está mudando, porque a sociedade não aceita mais a imposição dos estereótipos usados à exaustão pela indústria do entretenimento.

Isto é uma grande mudança, quase uma revolução, e como não podia deixar de ser, toda a força para frente acaba gerando empuxo contrário, pois sempre existem conservadores no mundo.

Os casos são tantos que não vale a pena enumerar: dentro do mundo da ficção escrita, dos games, da blogosfera e da podosfera, uma pesquisa rápida dará exemplos infinitos a este respeito e infelizmente parece que isto não vai parar tão cedo.


Mad Max: A Estrada da Fúria, passou pelo mesmo tipo de barulho porque retratava Furiosa com tanto protagonismo quanto Max (alguns dizem que até mais, e além de concordar eu acho que de outra forma o filme não seria tão fantástico), muitos disseram que foi uma falta de respeito ao filme original e que o verdadeiro Mad Max nunca seria assim.

Para quem defende esse tipo de ideia, só tenho uma coisa a dizer: Chora mais, porque não vai parar por aqui.

Por que a representatividade importa?

Simples. Por que todos precisamos de heróis e modelos, especialmente quando somos crianças. De acordo com as teorias de Jung, a mídia atual cumpre o papel que antes era oferecido pela religião: o de abastecer nossas mentes e almas de histórias, exemplos e inspiração. A fantasia e a vida interna, dentro da nossa mente, é parte fundamental de um desenvolvimento psicossocial saudável.


Poderíamos citar (de novo) a referência entre Whoopi Goldberg e a Tenente Uhura, mas preferimos pedir a vocês que olhem às crianças ao seu redor. Vejam como as meninas estão mais aventureiras e menos “medrosas” do que eram há 20 anos atrás, isso tem um motivo. Jill Valentine matava zumbis, Lara Croft não precisava de heróis. Nem Merida de Brave ou Elsa de Frozen precisam de príncipes. Temos um lanterna verde negro, um homem aranha negro e o Super Choque, fora algum outro ou outra que eu tenha esquecido.

A ficção, assim como o mundo mudou. Mude com ele ou esteja condenado a ficar para trás.

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