Games: Como se sentir numa realidade paralela


Desde que eu era criança, costumava jogar videogame com o meu irmão mais velho. Na época jogávamos Castle of Illusion, Batman e Road Rash (com direito a socos e chutes na vida real também) no nosso primeiro console: um MegaDrive (que aliás, tenho até hoje com as fitas e funcionando). Depois disso, passamos pro PC e começamos a jogar GTA e Doom (quem não lembra daquele monte de quadradinhos vermelhos de sangue que, na época, eram assustadores?). Até aquele momento, os objetivos dos jogos eram mais simples: um inimigo que você deveria matar, uma princesa num castelo esperando o resgate do herói ou completar algumas missões. Os jogos eram muito mais curtos e era comum ouvir as pessoas falando sobre os jogos que elas haviam jogado e, que tinham ido até o fim.

Atualmente temos jogos grandes, com histórias longas e complexas, gráficos tentando se assemelhar cada dia mais à realidade e nos quais há muitas escolhas difíceis a serem feitas - que mudarão totalmente o destino do seu jogo, criando uma experiência diferente para cada jogador. Isso faz com que você se sinta mais próximo dos personagens e, de certa maneira, faz você se apegar emocionalmente ao jogo - como aconteceu comigo em Mass Effect e Dragon Age, por exemplo. Tendo isso em mente, o jeito que nos relacionamos com os jogos hoje em dia é muito diferente da maneira que nos relacionávamos com eles há 10 anos. Se pensarmos em livros e filmes - onde você não pode escolher o destino dos personagens, você apenas aceita passivamente o que o autor escolhe te contar - os videogames prendem muito mais a atenção do jogador e fazem ele se sentir mais próximo do mundo criado pelos desenvolvedores. Não que não me identifique com personagens de livros, filmes e séries e não me emocione junto com eles (G.R.R. Martin, estou olhando pra você) mas os videogames me prendem de uma maneira diferente.


Ter que escolher entre aniquilar uma civilização de seres orgânicos ou uma de seres sintéticos me fez pensar por semanas. Mesmo. Isso mostra o quão apegada àqueles personagens e histórias eu estava. Eu deixei Mass Effect de lado durante estas semanas e procurei outras coisas pra jogar enquanto eu pensava na minha decisão. Pode parecer loucura e garanto que você, assim como eu, já ouviu de alguém: "É só um jogo!". Sim, é só um jogo. Mas é um jogo que mexe com as suas emoções, porque você conhece a história dos personagens, você decide como interagir com eles e como será a relação entre você e cada um deles - se você quer ser amigo de um e odiar outro. Outra questão também são os debates morais e éticos que te fazem pensar sobre a vida e a sociedade como um todo (eu sei, pode parecer meio filosófico aqui), mas acredito que assim como os livros, os jogos trazem ótimos tópicos para debate e que te fazem questionar vários problemas da sociedade, especialmente porque no gênero de ficção científica e fantasia o que se mostra é uma sociedade como a nossa, mas de um outro ponto de vista.

Ainda falando sobre Mass Effect, temos várias dessas questões éticas representadas no jogo como racismo, preconceito, ética e relacionamentos com outras espécies e com seres vivos completamente diferente de nós humanos. Sempre que eu vou lá, pego meu controle e continuo a minha saga como a Comandante Shepard, eu sinto que eu tenho o controle e posso decidir o destino da história (não vamos entrar em detalhes sobre o final do 3), e posso decidir com quem eu quero me relacionar, quem eu quero fora da minha equipe e quem pra mim é indiferente - além de, claro, poder deixar o personagem fisicamente parecido comigo ou como eu gostaria de ser. Já nas outras formas de entretenimento - livro, filmes e séries, como já citado aqui - eu não tenho esse poder.


Eu acredito que muitos dos gamers que gostam desse gênero de RPG sentem o mesmo que eu, isto é, sentem-se parte da história quando estão jogando. Claro que em filmes e livros temos aquele personagem que a gente se identifica e sofre com ele, mas um que se parece com você fisicamente e que você, de certa maneira, pode guiar as ações dele como se fosse você naquele mundo e naquela situação, dá uma sensação de proximidade e identificação com o personagem muito maior. Você não apenas se identifica... você sente como se fosse aquele personagem naquele momento!

2 comentários:

  1. Falta 1 mês para Xenobade Chronicles X...depois disso, adeus vida social.

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    1. 5 dias para Fallout 4, ou seja, adeus férias! Hahah

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