Resenha | Bioshock - Rapture


Sinopse: Fim da Segunda Guerra Mundial. As bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki trouxeram ao mundo o medo de uma total aniquilação. Novas políticas foram adotadas pelo governo americano, a fim de recuperar e restaurar a economia do país. Os altos impostos, o aumento da intervenção do Estado nas instituições privadas e o crescente poder das agências de inteligência davam ao cidadão comum a impressão de eterna vigilância. A sensação de liberdade diminuía a cada dia... e muitos pareciam dispostos a fazer de tudo para reconquistá-la. Entre eles, havia um grande sonhador, Andrew Ryan, decidido a criar sua própria utopia: uma cidade livre de governo, de censura, de restrições morais à ciência. Nesta cidade, tudo seria possível, e cada um receberia de volta o correspondente a seu esforço individual. Esta cidade era Rapture, a joia no fundo do mar. Mas nem tudo correu conforme o esperado, e uma grande tragédia abalou os planos daquele sonhador. Esta é a história do início de tudo... e do fim.

Original do blog Sidequest, trago minha resenha sobre Bioshock: Rapture de John Shirley que foi lançado em 2013 pela Editora Novo Século. Escrito tomando como base uma forte pesquisa dos conteúdos do jogo, a primeira página da história começa com duas das gravações encontradas no jogo: A primeira, de Andrew Ryan e a segunda de Atlas, dispostas na seguinte forma:

“Eu sou Andrew Ryan e estou aqui para fazer uma pergunta: o homem merece aquilo que conquista com seu próprio suor? “Não”, diz o homem de Washington, “quem merece são os pobres.” “Não”, diz o homem do Vaticano, “quem merece é Deus.” “Não”, diz o homem em Moscou, “quem merece são todos.” Eu rejeitei essas respostas. Pelo contrário, escolho outra coisa. Escolho o impossível. Escolho... Rapture. Uma cidade onde o artista não temeria a censura. Onde o cientista não seria limitado por mera moralidade. Onde o grandioso não seria restringido pelo ínfimo. E, com seu próprio suor, Rapture pode se tornar a sua cidade também.” – Andrew Ryan, em Bioshock.

“Imagine se você pudesse ser mais esperto, mais forte, mais saudável. E se pudesse até ter poderes incríveis, acender fogueiras com a mente? Isso é o que plasmids fazem por um homem.” – o Homem que se chama de Atlas, em Bioshock.

E após isso, entramos na primeira, das três fases, de Rapture.

Andrew Ryan, com medo das guerras, avesso as políticas de influência do mercado na economia exercidas por Roosevelt, crente que a humanidade se destruirá numa guerra atômica e sedento por um mundo melhor, onde não haja trabalhadores “parasitas”, decide criar um país que sobreviverá e servirá de exemplo para o mundo. Um país que, segundo ele, “Não era impossível de se criar no fundo do mar, era impossível tê-lo criado fora dele!”

O idealizador de Rapture passa a colocar seu plano em prática recrutando pessoas que aderiram a sua ideia de livre-mercado, livre-arbítrio e de homens livres que podem tomar suas decisões e crescerem sozinhos e no fim, Rapture é construída.

A segunda fase é como a “Era de Ouro” de Rapture, sem deixar de revelar os motivos de sua futura decadência. Pessoas que, segundo Andrew, eram aptas às suas ideias e estariam aptas a se livrarem do reino da superfície e entrarem no seu reino com poucas regras.

Uma delas, no entanto, bem perigosa: “Não haverá contatos com a superfície”. Ou seja, os medos que Andrew tinha, como os da religião e os comunistas com seus sindicatos, dentro de sua Rapture deveriam ficar de fora. Deveriam... E é nesse contexto que as figuras que são chave dentro da cidade nos são apresentadas.

Além dos citados, Dr. Steinman e Sander Cohen
são exemplos de quem também aparecem no livro.

Frank Golard é um trambiqueiro metido a ator que pretende, a todo custo, entrar em Rapture por ver várias formas de fazer fortuna naquela bolha. Teenabaum e Dr. Suchong são figuras responsáveis por avanços tecnológicos (livres e sem as fronteiras da moral e do bom costume que reprime na superfície). Dra. Lamb aparece como vazão para os trabalhadores que fizeram suas favelas nos fundos de Rapture e mostram que os ideais liberais não são tão maravilhosos assim, servindo como adversária política. Durante toda essa fase, Frank Fountaine faz sua fortuna contrabandeando, roubando e investindo grande dinheiro em pesquisas científicas que causarão, praticamente, o estopim das revoltas que acontecem na terceira fase de Rapture.

A terceira, e última fase, acontece quando Fountaine faz seu império dos plasmids – poderes concedidos através da manipulação genética, como Incinerate! E ElectroBolt – e eles acabam por viciar e corromper os que o utilizam. Numa enrascada, Ryan não vê saída além de contradizer seus ideias e travar batalhas contra o “livre comércio” de plasmids construído pelo império da Futurismo Fountaine e, de certa forma, todo o corpo social de Rapture se volta contra seu criador. De todo modo, resolvi parar 20 páginas antes do final para que, caso seja um final insatisfatório, minhas impressões não se deixem influenciar. Primeiramente, gostaria de ressaltar a quantidade de pesquisa feita pelo escritor e seus ajudantes, que descreve com detalhes cenas dos jogos no livro, detalhes que podem passar despercebidos e que criam bons diálogos com as gravações encontradas no jogo.

Dito isso, tenho que admitir que a narrativa usada não foi uma das mais envolventes. Em certos pontos, Shirley deixa a corda da tensão afrouxar além do necessário, causando um certo cansaço na leitura – nada que prejudique demasiado. Outro ponto interessante ao ler o livro é notar, tanto no jogo quanto no livro, personagens conhecidos e causar aquela sensação de “Hey! Eu conheço isso! Ah, então foi isso que aconteceu?”. De todo modo, é muito interessante conseguir reconhecer personagens no jogo com tamanha profundidade descrita no livro.

E então, vamos as expectativas do final... 

Terminei, e o final não deixa de surpreender. Big Daddy e Little Sisters tem papel influente no fim, principalmente para o personagem que tem bastante influência sobre a trama, Bill McDonagh. Em todo caso, recomendo a leitura para aqueles que têm interesse em aprofundar seus conhecimentos sob a cidade submersa de Rapture, para aqueles que gostaram do jogo e àqueles que querem jogar e se contextualizar.

Ficha Técnica
Nome: BioShock - Rapture
Autor: John Shirley
Editora: Novo Século
Páginas: 408
Onde Comprar: Amazon, Saraiva.
Adicione no Skoob


Arthur Marchetto escreve para o Nerdbucks e para o Estantário.

3 comentários: