Plataforma brasileira de escrita criativa está em produção


Plataformas de escrita criativa, como Wattpad e Widbook, estão presentes na web e influenciam o mercado editorial e, nesse cenário, é possível que recebamos uma plataforma brasileira em pouco tempo. O projeto, idealizado por Ricardo Cestari Junior, é chamado Writogether e foi aprovado na Campus Party para participar do programa Startup & Makers (S&M).

O S&M é um projeto que anualmente seleciona 200 empresas para promover seu projeto em uma área de exposição, além dos idealizadores terem acesso ao conteúdo educacional distribuído, como palestras e workshops. Com o projeto aprovado, Cestari busca agora desenvolver a plataforma e um plano de comunicação para, em um ano, fazer com que o projeto se sustente sozinho.

Ricardo sentiu a possibilidade em suas próprias experiências. Ao se envolver com alguma produção artística, passava meses trabalhando, confiando no potencial do projeto e, no fim, não era lido. Junto com isso, sentiu as possibilidades de se gerar receita via web, fugindo do caminho convencional das editoras.

No entanto, faltavam alternativas que enxergassem os processos criativos de forma fracionada – como a criação de mundos, de personagens e da própria trama. Dessa forma, a web se abriu para Cestari, mostrando-se uma nova forma de dividir a criação e integrar as pontas num tripé – o escritor, o ilustrador e o leitor.



A fragmentação das três etapas incentiva o colaborativismo entre os criadores e assim, os elementos podem ser trabalhados isoladamente, como um autor que cria um personagem, o ilustrador de um mundo ou alguém que una essas duas pontas. Ao buscar criar um novo trabalho, o autor terá três tipos de licenças: Livre, moderada e restrita. A primeira é utilizada quando o criador autoriza o uso de seu trabalho para qualquer usuário. Já a licença moderada libera o uso de seu trabalho para usuários selecionados e, a terceira, o uso é liberado apenas para o criador.

“Não é possível controlar quem vai criar um novo meme com a foto do Harry Potter”, diz Ricardo, “mas não é justo que o criador não receba por isso”. Cestari acredita que a internet é irregular e que assim deva ser, mas as memetizações podem acabar prejudicando o artista independente e, por esse motivo, as licenças terão papéis fundamentais.

Os leitores também terão papel mais efetivo. Além de comentários e recomendações, os leitores terão maneiras mais ativas de participação no processo criativo de uma história. Além da possibilidade de criar memes e fan arts, as histórias podem ser co-produzidas: leitores criativos que não dominam a parte técnica da escrita podem ser auxiliados por autores que se interessarem. Além disso, a violação de direitos, discursos de ódio, invasão de privacidade e outros crimes virtuais poderão ser denunciados.


Arthur Marchetto escreve para o Nerdbucks e para o Estantário.

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