Divertida Mente: (ou a retratação da Disney)


Não é uma bandeira, ou uma fronteira, ou uma moeda que fazem uma sociedade, são seus sonhos e aspirações, é o quanto esta sociedade é capaz de prover histórias para que as pessoas possam se compreender.

Como muitos podem dizer, muitas destas histórias hoje em dia são providas pelo cinema, e quando se fala em animações para crianças, sem dúvida os estúdios Disney é a maior referência. Da mesma maneira, podemos dizer que muitas das crianças das outras gerações tinham sonhos utópicos e tolos, que só serviam para serem massacrados por uma realidade, que se tornava ainda mais cruel quando comparada com o mundo onírico e pasteurizado, onde as princesas eram protegidas e os vilões punidos no final. Sabemos muito bem que a realidade não é desse jeito.

Princesas Disney e seus "Protetores".

Felizmente, quando você começa a perceber os novos filmes da Disney, e especialmente os da Pixar, começa a enxergar uma mudança considerável, uma melhora na linguagem de fantasia, uma fantasia que ajudará as crianças de amanhã a entenderem melhor a si mesmas. E de brinde, ajuda os adultos, que são apaixonados pelas animações até hoje, a ver as coisas de forma diferente. Alguns desenhos não são para crianças somente.

Antes de entrar na crítica ao filme diretamente, eu quero contar uma história: Eu tenho um problema sério com o ensino formal. Talvez porque eu tenha a mania de achar que sou mais esperto que todo mundo, por eu perder o interesse em uma explicação que eu já entendi, mas que as pessoas ainda estão tentando digerir e por acreditar que estudamos bobagens demais antes de chegar onde realmente importa, eu tenho uma grande dificuldade com isso. 

O dogma da sociedade é que todos aqueles sem curso superior serão considerados “inferiores”, fadados ao subemprego e patenteados como fracassados. O engraçado é que existem milhares de histórias que provam o contrário, mas uma que acabou me marcando muito mais foi exatamente Universidade Monstros.

Universidade Monstros

Por ter uma linguagem mais fácil, envolvente e divertida, ela oferece um alívio para essa minha ansiedade, e muitas vezes, quando penso nos obstáculos que terei por ainda não ser formado em nada, eu penso no Sully e no Mike, e o clássico “se eles conseguiram, eu também posso” é acionado na minha mente.

Falando em mente... Divertidamente é uma história leve e fascinante sobre como nossos sentimentos nos afetam, e como somos reféns deles às vezes. Quantas vezes o medo não te paralisou? Quantas vezes você não ficou cego de raiva?


Não é novidade nenhuma para nós que a nossa sociedade não oferece quase nenhuma ferramenta para que tenhamos inteligência emocional, geralmente quem deseja esta habilidade precisa empreender uma busca guiada por livros e alguns poucos profissionais, que na verdade são viajantes mais velhos nesta trilha do autoconhecimento.

Este filme dá uma força incrível neste sentido, por simplificar e facilitar conceitos complexos sobre nossos sentimentos. Uma das técnicas de cura dos antigos xamãs era personificar a doença. Dar-lhe um nome e imaginar-lhe um corpo, desta forma tornando-a mais “suscetível” à sua magia. O filme faz algo muito parecido, ao criar corpinhos fofos e abraçáveis para sentimentos que, às vezes, são terríveis dentro da gente.

Quando você assiste ao filme, você se compadece da tristeza, se irrita levemente com a insistência egoísta da Alegria de buscar somente a coisa boa em tudo, compreende a raiva e seu jeito explosivo, e acima de tudo, entende que o nojinho que faz as pessoas metidas é, na verdade, um mecanismo de defesa.


Em suma, veja divertidamente se você for um adulto e se você for uma criança (ou for responsável por uma), veja e mantenha uma cópia do filme sempre por perto, ele é uma excelente forma de conversarmos sobre nossos sentimentos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário