Comemorando a legalização do casamento gay nos EUA: A evolução dos personagens LGBT nos videogames


Personagens gays existem desde as histórias e lendas mais antigas da Terra, mas nos videogames o primeiro personagem gay só surgiu mais de uma década após a popularização dos jogos, que começou lá pelos anos 70. Até a primeira metade dos anos 80, os personagens gays eram quase sempre retratados de forma cômica, e não tinham grande participação dentro da história.

O primeiro personagem amplamente reconhecido como gay é de um antigo jogo, de 1986, chamado “Moonmist”. Neste jogo de ficção, uma das mulheres envolvidas na história sente ciúmes de sua namorada, porque ela está se casando com um homem. Ainda não é parte da história principal do jogo, mas já é um começo para os personagens LGBT's.

Manual do jogo Moonmist

Mais tarde, em 1988, o clássico Super Mario Bros (neste caso específico, o 2) introduziu o personagem “Birdo” que, na primeira edição do manual era descrito como “Ele pensa que é uma menina e cospe ovos pela boca.”, e que gostaria de ser chamado de Birdetta. Mas em suas aparições nos jogos que vieram depois, essa descrição não aparece e ele é tido como um personagem de “gênero indefinido”.

Birdo, do jogo Super Mario Bros 2

Outros personagens importantes desta mesma época que podemos citar aqui são a Poison (de Final Fight e, posteriormente, Street Fighter) que é uma mulher trans, e vários personagens homossexuais e trans que aparecem em Circuit's Edge – dois jogos de 1989.

Poison, de Final Fight e Street Fighter

Entrando nos anos 90, esse número aumentou bastante. Com o passar do tempo, e a maior aceitação do público para esse tipo de personagem, foi possível a introdução de mais personagens que representassem a comunidade LGBT, mas sem deixar de lado, é claro, muito preconceito. Muitos jogos ainda eram censurados, principalmente quando estes chegavam para o, até então, super conservador público americano. Um bom exemplo disso é o personagem Ash, de Streets of Rage 3 – lançado em 1994 – o chefão vestido com meias 7/8 (aquelas que vão até a metade da coxa), salto alto e o que parecia ser um “maiô” de couro, que está presente na versão original japonesa, mas que foi retirado do jogo na versão americana. Porém, enquanto o Japão criava vários personagens que não eram muito bem recebidos pelos EUA, eles ainda não representavam os LGBT's de maneira muito realística, mas sim de uma forma estereotipada.

Ash, de Streets of Rage 3

Felizmente, pouco tempo após esse caso do Ash, os desenvolvedores americanos começaram a introduzir personagens mais reais, com histórias não apenas cômicas e sem tantos esteriótipos nos jogos. Em 1996, Curtis Craig, personagem bissexual, diz sentir atração pelo seu melhor amigo Trevor, que é assumidamente gay no jogo Phantasmagoria 2. Já em 1998, em Fallout 2, temos um casamento gay. Os desenvolvedores, um deles casado com outro homem desde 2012, disse que o objetivo deles era cobrir todo tipo de cenário possível no jogo.

Chegando nos anos 2000, com maior representatividade do movimento LGBT e discussões sobre direitos para os homossexuais, esse novo cenário foi também inserido nos jogos. Atualmente temos vários jogos com personagens principais de diferentes orientações sexuais ou a possibilidade de se ter romances com personagens do mesmo sexo, no caso de alguns RPG's. Bons exemplos disso são o jogo The Sims, de 2000, que permitia aos jogadores escolher todas as características de seus personagens, dentre elas a sexualidade; Star Wars – Knights of the Old Repulic (KOTOR, de 2003) que contava com uma Jedi lésbica, chamada Juhani, sendo a primeira personagem lésbica do universo Star Wars; a expansão “The Ballad of Gay Tony”, para o GTA IV, de 2009, que apresenta “Anthony Prince” - também conhecido como, claro, “Gay Tony” - dono das boates Maisonette 9 e Hercules.

Juhani, a primeira personagem lésbica do universo de Star Wars

Atualmente os novos títulos tem incluído muito mais personagens e possibilidades de interações não apenas heterossexuais dentro dos jogos. Em 2009 o jogo Dragon Age: Origins trouxe a possibilidade do jogador ter relações com personagens do mesmo sexo, assim como os títulos seguintes – Dragon Age II (2011) e Dragon Age: Inquisition (2014) – que além das relações, também apresentou um personagem trans, chamado Cremisius Aclassi (ou “Krem”). De 2012, temos dois grandes títulos: Mass Effect III – no qual o jogador pode desenvolver relações com outros personagens do mesmo sexo e também a presença do personagem Steve Cortez, que fala sobre como sente falta de seu marido que morreu durante a guerra contra os Reapers. E Borderlands 2, recheado de personagens gays e bissexuais, como Sir Hammerlock, Mad Moxxi, Axton e Mr. Torgue. Em 2013 outro famoso jogo trouxe como personagem principal um representante LGBT: a Ellie, protagonista do The Last of Us, uma garota de 14 anos que vive num mundo pós-apocalíptico e se apaixona por Riley, sua melhor amiga.

Ellie, do jogo The Last of Us

O futuro parece cada vez mais promissor com a inclusão de personagens tão diferentes e com histórias que não envolvem apenas relações heterossexuais. Para os próximos anos, acredito que cada vez mais veremos personagens que não são retratados de maneira estereotipada e que são vistos como piadas, mas sim personagens com histórias interessantes e envolventes, como o exemplo da Ellie de The Last of Us. A legalização do casamento gay nos EUA é um grande passo para a sociedade neste sentido, pois além de permitir que todos tenham os mesmos direitos, independentemente da orientação sexual, faz com que o assunto venha à tona e gera discussões relacionadas a ele, incentivando ainda mais os desenvolvedores a não terem medo de incluir personagens com diversas histórias e possibilidades de interações diferentes dentro dos jogos. Afinal, já estamos em 2015 e já era mais do que a hora de vermos mais diversidade nos games!

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