The Killing e The Fall: Duas obras-primas do gênero suspense/assassinato


Vivemos em uma época de pujança no que diz respeito a produções televisivas, independentemente do gênero, felizmente. Nos últimos meses tive a oportunidade de conhecer duas séries que realmente me cativaram, não por tratar de algo inovador, mas por trabalhar um conceito usual de forma diferenciada. Estou falando das séries The Fall e The Killing, ambas podem ser vistas na Netflix, e acreditem, esses dois programas valem o dinheiro investido na assinatura do site de streaming. 

Vamos começar falando de The Fall, série que nos brinda com talvez o melhor trabalho de Gillian Anderson, atriz mundialmente conhecida como a agente Dana Scully em Arquivo X, outra série que tem uma legião de fãs e que está de volta, mas isso é assunto para outro dia. Gillian interpreta a policial Stella Gibson, que é encarregada de capturar um assassino em série que vem atuando na Irlanda do Norte. A produção acompanha Stella desde sua chegada, seus primeiros passos e a sequência de suas ações em busca do criminoso. Em contra partida, do outro lado da história temos Paul Spector, interpretado por Jamie Dornan, que hoje é muito conhecido por sua atuação em 50 Tons de Cinza, onde faz o papel de Christian Grey. Paul é pai de família, profissional dedicado a psicologia, e a primeira vista é um homem normal, porém seus hábitos noturnos são sombrios. Paul é o assassino que Stella busca, e acompanhamos as ações de cada um durante a série, um matando e outro investigando. O plot principal é basicamente esse. 


Duas coisas realmente me chamaram a atenção em The Fall, uma foi o tom escolhido como background, sempre escuro, sombrio e chuvoso, trazendo um clima muito particular, quase intimista e desconfortante, e ao mesmo tempo familiar e aconchegante. A outra coisa que realmente é de saltar os olhos são as atuações dos personagens principais, é algo realmente fantástico. Stella é uma policial badass, sem ser forçado ou pejorativo, ela é aquele tipo de mulher de força que facilmente ficaria marcada na história. Logo no primeiro episódio ela dá um tapa na cara da sociedade machista, o que convenhamos, sabemos que existe, convidando um policial que sequer conhecia para passar a noite com ela, nada de amor e paixão, apenas sexo. Esse é o tom da personagem, seca sem ser grossa, decidida e não influenciável, é genial. Uma frase que a resume bem é deferida a um colega policial que ela já tinha se relacionado no passado:

Mulher fode com o homem. Mulher sujeito. Homem objeto. Isso não é muito confortável para você, não é?

Jamie Dornan também atua muito bem, é quase convincente que ele realmente é um assassino em série frio e calculista. Na maneira de agir com sua esposa, com seus filhos, no trabalho, nada, não se vê emoção alguma naquele homem, e isso é assustador e fascinante ao mesmo tempo. Os poucos momentos que vemos Paul ter satisfação é quando ele mata, no restante do tempo seus sentimentos passam despercebidos diante de todos. Também existem personagens secundários que fazem um ótimo trabalho, especialmente Aisling Franciosi, que interpreta Katie Benedetto, garota que cuida dos filhos de Paul quando ele e sua esposa saem de casa. A menina é totalmente surtada em vários aspectos, durante a trama ela passa a conhecer o segredo de Paul e de certa forma o ajuda em algumas questões. As duas temporadas da série estão disponíveis na Netflix, a primeira contendo 5 episódios e a segunda 6 episódios, com uma hora cada, aproximadamente. A produção em si é muito caprichada, cenário, fotografia, trilha sonora, tudo é impecável. A terceira temporada da série já foi confirmada e estreia em 2016.


Quem matou Rosie Larsen?

Essa é a pergunta que permeia as duas primeiras temporadas da série The Killing. São 26 episódios dedicados a resolver o misterioso caso da garota que foi assassinada e teve seu corpo colocado no porta-malas de um carro e atirado no mar. The Killing se tornou uma das minhas séries favoritas, e depois de assistir The Fall pensei que dificilmente uma produção do mesmo gênero seria tão boa. Felizmente, The Killing foi melhor e vou explicar um pouco da razão disso. 

A série é situada em Seattle, Washington, e cada episódio equivale a aproximadamente um dia no universo da produção. Somos apresentados a detetive Sarah Linden, interpretada por Mireille Enos (Guerra Mundial Z), uma pessoa absurdamente focada em seu trabalho, sendo quase uma obsessão. Linden estava mudando de cidade, ia ter uma vida nova, casar e viver de forma mais tranquila, mas na véspera de sua partida ela recebe o caso de Rosie Larsen, e simplesmente não consegue abrir mão daquele mundo antes de concluir esse último trabalho. O policia que ia ficar em seu lugar, Stephen Holder, interpretado por Joel Kinnaman, que será Rick Flag no filme do Esquadrão Suicida, acaba se tornando seu parceiro durante a resolução do caso. Linden tem um estilo bem comum, é fácil se identificar nela, pois é tudo muito humano o que vemos ali, assim como Holder, um cara normal, cheio de gírias urbanas e diversos problemas. 


Problemas, isso é uma coisa que torna os personagens fascinantes. Linden com seu vício incontrolável por trabalho, colocando sua função como detetive acima de seu filho, futuro marido e amigos, e Holder, que teve problemas com drogas e tem uma baixa aceitação em sua família. Incrivelmente as duas primeiras temporadas não são arrastadas e são bem emocionantes, mesmo se tratando de um único caso. Outro destaque extremamente positivo são os plot twists, é incrível a quantidade de reviravoltas que acontecem na série, é absurdamente ridículo. E o melhor de tudo é que a série consegue engatar essas viradas de mesa sem dar dicas ao espectador que tal fato vai acontecer, e quando acontece ficamos espantados. Ou quando temos certeza que uma coisa está consolidada, pois tudo, mas tudo mesmo indica para aquele fato e de repente tudo muda, sem parecer ilógico, tudo bem construído, é sensacional.

Os personagens secundários são importantíssimos para a trama, e todos atuam muito bem. Destaco Brent Sexton, que interpretou Stan Laren, pai de Rosie, Billy Campbell, que vive Darren Richmond, Eric Ladin, que faz o papel de Jamie Wright e Kristin Lehman, que interpreta Gwen Eaton, todos personagens essenciais para a trama. Outro fator interessante de comentar é o plot político dentro da série, pois o assassinato de Rosie é ligado inicialmente a uma das campanhas que concorrem ao posto de prefeito da cidade, então tem mais esse evento paralelo acontecendo. Lembram o que eu falei sobre o clima de The Fall? Então, tudo aquilo se intensifica ainda mais em The Killing, o ambiente é sempre muito chuvoso, contrastando com a ansiedade da Linden e com o Holder fumando seus cigarros e falando como um rapper americano, simplesmente funciona. São milhares de motivos que me fazer amar The Killing, e recomendo fortemente que todos assistam.

Quem quiser aproveitar duas séries que fogem da mesmice, The Fall e The KIlling são pratos cheios para os amantes do bom suspense.

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