Resenha do game Wolfenstein: The New Order

Aviso: Resenha feita na versão para PC, adquirida pelo autor.

Luta desbalanceada, só um Über-Soldaten?

Com certeza alguns de vocês devem ter tido a chance de jogar algum, ou alguns jogos da famosa série Wolfenstein, que começou na década de 80 com Castle Wolfenstein, mas se tornou realmente conhecida quando a id pegou a franquia e criou o que muitos consideram o primeiro FPS, Wolfenstein 3D em 1992. E finalmente, em 2014 tivemos a mais nova versão dessa famosa franquia.

Este vídeo dá uma boa ideia de como a série mudou com o passar dos anos.

Algumas coisa nunca mudaram na série, as mais importantes são o protagonista William "B.J." Blazkowicz e Nazistas dos mais variados tipos e patentes!

Como o tempo passa diferente para esses personagens...

The New Order, o título mais recente nessa série (sem contar a prequel The Old Blood, mas falaremos dela em outra oportunidade), onde mais uma vez B.J está enfrentando seus mais famosos inimigos, mas desta vez a coisa não está boa, já que os nazistas acabaram conseguindo produzir tecnologias muito além do que o mundo tinha visto até ali, incluindo mechas e coisas com o nome Tesla, o que é um sinal universal de tecnologia avançada.

Mas voltando ao jogo, temos aqui um FPS quase que a moda antiga, mas com adaptações para o público moderno, assim, ainda temos armadura e saúde que não se regeneram completamente sem que você pegue alguns itens pelo caminho, embora sua saúde se regenera até um certo nível, por exemplo, se ela cair até 10, ela vai se regenerar até 25, mas vai continuar ali até o próximo item de vida. Você também pode ter sobrecargas de vida, que vão te deixar com uma quantidade acima do limite por um período limitado de tempo.

Outra mecânica mais moderna é o uso de cobertura, que é quase um detalhe, que muitos podem nem perceber que está presente, pois os inimigos podem destruir a maior parte dessas coberturas rapidamente, utilizar granadas para forçar sua saída ou simplesmente ir pra cima de você.

E essas mecânicas precisam mesmo ser limitadas pois a maneira certa de se jogar Wolfenstein é encarar tudo de frente, sabe como é, "Get Psyched!"

Como foi dito antes, o jogo não tem nenhum modo multiplayer, assim, o foco é 100% no PvE. Isso é importante, pois para muitos jogadores isso acaba desvalorizando o produto. Mas a alguns anos temos tido empresas que apostam muito nesse mercado single player com jogos como Singularity, Bioshock Infinite, Call of Juarez: Gunslinger ou a série Metro. Assim, se o que você gosta em um FPS é de combater outros jogadores, este não é pra você.

Mas se você quiser experimentar essa versão moderna do clássico, se prepare para um jogo divertido e com algumas reviravoltas interessantes! O jogo começa com uma sessão de turret, o que realmente não me agrada tanto, mas logo estamos em solo e prontos para resolver o problema nazista, um soldado de cada vez.

Blazkowicz é o tipo de cara que sempre deixa sua marca onde quer que passe.


As mecânicas de tiro do jogo são clássicas, ou seja, você não é limitado a apenas duas armas, pode pegar todas as que conseguir e carregar com você, algumas dessas armas tem mais de um modo de tiro, e existem armas que podem ser usadas uma em cada mão. Isso é terrível para sua munição, mas é fantástico durante alguns momentos do jogo.

Uma outra parte interessante das mecânicas são os "perks", algumas melhorias que você ganha no jogo a medida que você realiza certas ações, como matar inimigos de maneira sorrateira com suas facas, utilizar duas armas ao mesmo tempo ou conseguir uma sobrecarga máxima de HP. Essa melhorias trazem algumas vantagens interessantes, como a possibilidade de maior regeneração de saúde, carregar mais munição, recargas mais rápidas, e muitas delas vão ser abertas sem que você procure realizá-las.

Tem uma coisa para todo tipo de jogador.

Os gráficos do jogo utilizam a idTech 5, a mesma usada em jogos como RAGE e Evil Within, o jogo roda muito bem, mesmo em um PC com uma GTX 560ti, consegui que o jogo rodasse com bons gráficos e mantendo FPS próximos de 60. Não é um jogo extremamente leve, mas funciona bem em máquinas mais modestas.

O jogo consegue te colocar naquela atmosfera triste e pesada, onde o mundo inteiro se submeteu aos nazistas. O jogo acontece em uma versão alternativa de 1960, onde os nazistas conseguiram massacrar todos os exércitos do mundo com o uso de tecnologias que estavam décadas a frente do que existia no resto do mundo.O jogo possui belos efeitos visuais e consegue manter tudo funcionando bem mesmo em lutas com vários inimigos na tela ao mesmo tempo. Os cenários costumam ter um bom número de detalhes, e nas áreas onde existe combate, vamos que eles permitiram muita destruição dos cenários. Assim, algumas áreas que você pode usar para se proteger podem ser destruídas, mas você pode fazer o mesmo com inimigos escondidos.

Um ponto interessante no jogo é o laser, LaserKraftWerk, que no início funciona apenas como uma ferramenta, mas depois se torna uma arma poderosa, mas a função interessante dela é o uso para cortar certas superfícies de metal no jogo. Algumas vezes isso pode abrir um novo caminho, outras vezes pode ser usada para conseguir itens, mas é visualmente interessante de se ver.

A parte sonora é realmente muito boa, com dubladores alemães para a a maior parte dos personagens, que fazem um grande trabalho. As armas do jogo também conseguem expor sua "força" com os sons de cada uma, assim, não existem duas armas com sons parecidos, elas são bem distintas. Outro ponto forte desse jogo é sua trilha sonora. Além de músicas de alto padrão durante o jogo, minha preferida é a Ransack, mas um detalhe interessante foram as versões de músicas famosas em alemão.

Pois é...

A narrativa do jogo é uma parte muito forte deste Wolfenstein, e aqui você tem um grupo bem interessante de personagens para prender sua atenção durante a experiência toda.

Logo depois da primeira missão, você precisa tomar uma decisão que vai dividir o jogo em duas linhas do tempo. Isso realmente influencia pouco na jogabilidade, mas ela te permite conhecer um pouco melhor dois personagens que é melhor não falar muito para não estragar a surpresa.

Agora, este jogo com certeza ganhou dois dos antagonistas mais bem feitos dos últimos anos. Você anseia por uma oportunidade de acabar com eles a cada momento em que eles aparecem, e isso é ótimo.

Você realmente vai querer encontrar com esses três da direita, de preferência, com muita munição.

Os personagens que você consegue interagir, oferecem carisma o suficiente para você ter curiosidade sobre eles, e isso é um ótimo sinal para qualquer narrativa. Este jogo parece acontecer após o Wolfenstein de 2009, mas não há uma ligação tão direta, a não ser por uma personagem, que é uma das melhores diga-se de passagem.

Então temos um coisa rara hoje em dia, um FPS completamente focado no modo para um jogador, que tenta contar uma estória bem trabalhada, mesmo que um pouco clichê, onde seu personagem é o único que aparentemente consegue resolver tudo, mas ainda sim empolgante e com mecânicas que realmente conseguem desafiar os jogadores de FPS modernos e clássicos.

E um último detalhe, você pode jogar o primeiro Wolfenstein completo neste jogo, é só achar o lugar secreto e aproveitar um mix do novo e do antigo. É bem chocante de se ver.

Eu recomendo o Wolfenstein: The New Order para todos que gostem de um bom FPS, mas não se preocupam com o fato de ser uma experiência para um jogador. O jogo pode ser terminado mais ou menos em doze horas, a não ser que você queira buscar os segredos.

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