Cultura nerd explica: Questões sociais em Mad Max Fury Road



Vi vários textos sobre este excelente filme, e falar sobre o quanto ele é um clássico automático e o quanto ele me fez voltar a acreditar no cinema e, ao mesmo tempo desacreditar mais um pouco em nossa eficiência como espécie quando o assunto é auto-preservação.

A ideia aqui é comentar as poderosas e nem tão óbvias críticas sociais.

Eu vi outros textos com a mesma proposta na internet, e achei um pouco raso e fraco, e por isso mesmo decidi montar esse. Dei tempo para que o filme entrasse direito na minha mente, digeri detalhes e conversei a respeito antes de escrever, já que uma análise é diferente de uma notícia e eu prefiro demorar e entregar algo melhor do que dar uma desculpa em um texto meu.
Bem, sem mais enrolação, vamos lá!

Uma distopia distante?


Não pense que a sociedade de Mad Max está tão distante, se você buscar direitinho, existem vários Immortan Joes e kamicrazies por aí, mas como apontar o dedo é feio e minha mãe me deu educação (embora eu nem sempre use ela toda, eu a recebi), vamos só discutir os processos e você mesmo busca as correlações em nossa vida atual.

- Uma sociedade piramidal. Não dá para começar a falar sem pensar logo no começo do filme. Uma elite encarapitada em sua torre de pedra, com a grande maioria dos recursos, enquanto a colossal maioria fica abaixo, vivendo de migalhas. Reconheceu alguma coisa? (Ahn, todas as pessoas em posição de poder são filhos de Joe).


- Sua carreira define quem você é: As pessoas perdem sua identidade para se identificar com grupos, que passam a defini-las. Vemos uma sociedade onde as pessoas são meras ferramentas e as carreiras acabam definindo quem elas são. Os kamicrazies, com sua disciplina suicida e sua obediência cega aos desmandos de Joe em troca de um paraíso onde eles comerão fast food (vamos ver quem pegou essa referência). Percebe-se que a aceitação dos papéis e da realidade como ela se apresenta é o cimento desta sociedade do medo.

- A independência do gênero e da posição social em momentos de necessidade: Quando a coisa aperta e o importante é sobreviver, você se alia com quem estiver ao seu lado. O mais fascinante em distopias é que você percebe o quanto as construções sociais são frágeis e os preconceitos são idéias preguiçosas de uma sociedade que não quer analisar caso a caso. Claro que alguém lucra com isso, pois quando mulheres reprodutoras, uma imperatriz, um kamicrazy meia vida e uma bolsa de sangue se unem com velhas de uma sociedade matriarcal em vias de extinção, o sistema cai e é substituído.


- Max é um herói? Depende do ponto de vista: Se você olhar do ponto de vista mais crítico, Max é arrastado a um problema, usa de brusquidão e violência para resolvê-lo e então parte, deixando a comunidade em reconstrução para trás. Seria uma forma indireta de justificar a necessidade dos Estados Unidos de “levar democracia” a países islâmicos cheios de petróleo (recursos naturais escassos e valiosos, assim como na Cidadela)? Não deixa de ser inquietante a semelhança.

De forma alguma eu acho que este texto encerra o assunto. Eu só aumentei a aposta. Como sempre, sua opinião é muito bem vinda.

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