Uma grandiosidade medíocre (ou porque temos tantos remakes)


Existe algo que muitas pessoas se esquecem, quando falam de filmes, séries e similares: elas são um negócio, especialmente nos EUA, onde o termo “indústria do cinema” pode ser aplicado com muito mais força do que na maioria dos lugares (o outro pólo, que começa a fazer frente aos filmes americanos, é a Índia).

Exatamente por isto, como qualquer mercado, existem tendências que as empresas seguem para manterem e expandirem seus lucros. Duas tendências que estão cada vez mais fortes atualmente são as adaptações e remakes.

Por que será? Por que anda cada vez mais complicado colocar histórias totalmente originais nos cinemas?

Velozes e Furiosos 7, exemplo de filme com várias continuações.

Talvez seja uma conseqüência da migração das mídias e das histórias transmídia (valeu Kelly por me elucidar o conceito), mas quase história nenhuma está sendo contada pela primeira vez no cinema mainstream. O principal motivo, acho eu, é uma questão fácil de entender como negócio, mas frustrante como pessoa recém ingressa no mundo da cinefilia: Fica caro apostar em uma história que não se tem certeza que terá retorno.

Por isso eu acho que Birdman ganhou o oscar de melhor filme. É um filme nascido no cinema, não adaptado de nada, um maldito tiro no escuro que os caras tiveram coragem de dar. E deve ter dado retorno.

Birdman, um filme que mostra porque os estúdios devem investir mais em obras originais.

Aí também fica a outra questão: Será que não é falta de bons roteiros serem entregues nas mãos de bons diretores, e a coisa toda ser feita como antigamente, em que as pessoas arriscavam e eram punidas quando faziam errado, mas recompensadas quando faziam certo?

Já deixo claro: Não sou totalmente contra adaptações, algumas delas fizeram os filmes que mais amo. Mas vamos citar um exemplo, que para mim, deixa claro o tamanho da palhaçada.

Quando fez o primeiro Senhor dos Anéis, Peter Jackson enfrentou um mundo de oposições, (ouvi histórias de produtores sugerindo cortar o número de Hobbits), mas ele venceu essas dificuldades e fez chover ouro (e críticas dos mais puristas quanto à obra de Tolkien).

Trilogia Senhor dos Anéis: Épicos do cinema, e grande acerto de Peter Jackson.

Depois ele fez o Hobbit... em 3 filmes.

Qualquer pessoa que já passado os olhos pela obra de Tolkien sabe que os livros do Senhor dos Anéis são densos e cheios de detalhes, a obra da vida de um sujeito incrivelmente culto, o que justifica três filmes (talvez até 4, mas em 3 ficou perfeito).

O Hobbit é um livro infantil. Não digo isso como ofensa, mas a linguagem e o jeito dele lembram muito mais Alice no País das maravilhas do que o próprio Senhor dos Anéis.  Se fossem realmente necessários 3 filmes para descrever esta história, por que criar mais personagens e forjar um romance totalmente descabido dentro da obra?

Dinheiro.

Trilogia da Obra "O Hobbit", mostrando como o apelo comercial pode estragar uma obra.

Ousadia, por favor. Queria um roteirista bom, um diretor com bolas e uma empresa que realmente voltasse a fazer cinema. Queria histórias das quais nunca ouvi falar na telona de novo...

Se isso não vier dos grandes estúdios, eles vão abrir uma lacuna no mercado, que será preenchida por estúdios menores. Tomara que aconteça logo.

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