Por um punhado de Dólares - Parte 1


Odeio apresentações, sério, odeio elas. Você tenta resumir toneladas de informação em poucas frases, jogando com a sorte de que essas pessoas entendam essas frases da maneira que eram para ser entendidas. Por isso, vou pular as apresentações, por enquanto o que vocês precisam saber é que vou tentar traçar um paralelo entre duas culturas relativamente parecidas, o Faroeste e os Super Heróis (sim, eu sei, isso já foi feito centenas de vezes, pelo menos lá fora. Não acho que vi muita gente comentando isso aqui no Brasil, mas whatever, farei do mesmo jeito HAHA.)

Vamos entrar em uma breve jornada explicando o que é o faroeste, o que é o gênero de super heróis, traçar um comparativo e enfim, na última parte do texto, chego aonde quero chegar e concluo as minhas idéias. Basicamente é um exercício mental de “não análise” do passado. Ao invés de pensarmos “Putz, deveria rever o passado, aprender com os erros e acertos e aumentar o nível”, normalmente vamos fazendo tudo de maneira intuitiva, empírica e aleatória, pois Hollywood é exatamente assim e nos prova dia após dia. Pois bem, vamos analisar um pouco o passado e não cair nos erros deles!


O que é Western?

O Faroeste é um gênero mais conhecido por nossa geração como o preferido de nossos pais e avós, aquele filme em preto e branco repleto de armas e cavalos que você passou sua adolescência vendo seu vô assistir pela milésima vez no domingo de manhã e simplesmente não entendia porque diabos ele fazia isso, quase como um ritual. Porém este gênero não começou nesses filmes e sim culminou neles.

O mito americano da dominação da costa leste, recheado de histórias dos generais armados com suas colts contra shamãs e suas tribos usando arcos, vem sendo recontado por mais de cem anos em várias mídias, desde livros, músicas e filmes a nossas tão celebradas histórias em quadrinhos. São histórias ricas em arquétipos que passam de geração em geração, vezes baseadas em fatos reais ou neste “universo paralelo” que o período de tempo das terras sem lei criou.

Estas histórias começaram ser adaptadas ao cinema tão logo se foram feitas filmagens de longa duração e pudemos falar “isto é cinema”. O primeiro filme é datado de 1903, O Grande Roubo do Trem de Edwin S. Porter, trouxe vida as cenas que já estavam no imaginário popular, sendo sucesso imediato. Com histórias simples e inocentes, usando fórmulas básicas e de pouco custo aliados a imagens de heróis clássicos, esses filmes foram mantendo sua forma até a década de 40/50, quando começaram a ser alterados para filmes mais maduros, abordando assuntos sérios, histórias mais pesadas e “cinzas”. Exatamente nesta época as temáticas western começaram a ser abordadas por produções de diversos países, principalmente na Itália, trazendo o conhecidíssimo “Spaghetti Western”, chegando a lugares longínquos como o Japão, com o mestre Kurosawa.

Foram anos de auge, diversos profissionais que participaram dos bangue-bagues hoje são considerados “clássicos”. Gente como Sérgio Leone, Clint Eastwood, Ennio Morricone, John Ford, John Wayne e Charles Bronson foram revelados e milhões de dólares foram feitos com um mercado de público fiel e aquecido.


Como todo gênero, a curva de ciclo de vida um dia teria de chegar ao seu ápice e logo após existe o declínio. Este declínio possui várias motivações que vão desde cansaço natural do público, exposto demais as produções, qualidade cada dia pior dos filmes em si, produções feitas com custo alto (contrariando totalmente o início e para alguns a alma do gênero) que acabaram não tendo retorno, culminando no “épico ao contrário” Heaven’s Gate, dirigido pelo premiado Michael Cimino, com atores do calibre de Christopher Walken, Jeff Bridges e o cantor Kris Kristofferson, que gastou US$ 40 milhões e recebeu em retorno US$ 3 milhões, considerado por muitos um dos piores filmes já feitos e uma tragédia para os investidores.

Assim, na década de 80, o faroeste era ultrapassado por gêneros como Horror, Aventura e Ficção-Científica, sendo gradualmente relegado a fitas empoeiradas no fundo das locadoras. Apesar de ser revisitado com ótimos filmes como Bravura Indômita e Django, hoje o faroeste tem pouca força. Por fim, acabaria se tornando uma boa memória dessa geração antiga marcada por balas, flechas e ferraduras.


Essa foi a primeira parte do texto! Durante essa semana ou no máximo semana que vem vou fazer uma "pequena introdução" da história do gênero dos supers, afinal acredito que maioria conheça bastante sobre collants, capas e pessoas com tonalidade de pele incomum.
Leia a 2ª parte.

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