Filhos de Anansi: As verdadeiras tradições de família


Enquanto os conservadores ficam aí falando que duas senhoras se beijando é contra a família tradicional, vamos falar de um livro que REALMENTE ensina o que é família, o que é respeitar uma verdadeira tradição e, ainda por cima, conta com a releitura de divindade mais divertida (junto com Czernobog e suas irmãs, de Deuses Americanos) que o novo papai Neil Gaiman já escreveu.

Sim, estamos falando de Filhos de Anansi!


Porque todas as histórias são de Anansi, mas esta não.

Esta é de seu filho, Charles Nancy, ou “Fat Charlie”, que tenta, de todas as formas possíveis e imagináveis, ser mais um dentro de uma Londres modorrenta e triste, perto da terra de sol e magia da qual ele veio, devido à morte de seu pai, que não é ninguém menos que o próprio Deus Africano Anansi, na verdade a versão dele que os escravos trouxeram para os EUA. Em sua curta aparição, o velho Sr Nancy mostra como viver uma vida intensa e boêmia, e então morre.

Os problemas acontecem quando o irmão misterioso de Charlie, Spider, aparece, e demonstra o motivo pelo qual Charlie nunca teve muita relação com a magia em seu sangue: Spider parece ter herdado toda ela, usando-a de forma, mas irresponsável e desonesta, como só o próprio Anansi seria capaz.

O mais fantástico sobre o livro é que, ao contrário de Deuses Americanos, seu livro matriz, que acaba necessitando de um dicionário de mitologia para ser lido, os Filhos de Anansi usa a mitologia e a magia de forma muito mais sutil e delicada, demonstrando a evolução do escritor para textos que, além de cativantes, são incrivelmente fáceis de serem absorvidos e, talvez por isso falem tão fundo ao coração.


Aprendemos a entender a magia de Anansi e suas contrapartes, o quanto a originalidade, a autenticidade e a autoconfiança podem fazer efeitos miraculosos em nossas vidas e, para os poucos acostumados aos textos do Gaiman, ele acaba sempre colocando uma das suas conhecidas “teorias sobre como o mundo funciona”. Perceba, todo o livro dele tem uma.

A deste é sobre a canção da vida, sobre como encontrá-la e cantá-la, sobre se achar e ser você mesmo de forma apaixonada.

É um livro singelo, e ao mesmo tempo poderoso. Não épico, mas com aquela sensação de voltar à casa da mãe (ou da avó), e de enfrentar seus traumas infantis, que ainda são grandes em sua vida.

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