Deus Abençoe a América: a superficialidade cultural da atualidade


Todo começo de ano é a mesma coisa, o país fica dividido entre dois tipos de pessoas: os que assistem ao Big Brother Brasil e os que não assistem e criticam a futilidade de um programa com essa temática. Se você faz parte do segundo grupo de pessoas, com certeza irá se identificar com o filme God Bless America (Deus Abençoe a América).

No filme conhecemos Frank (Joel Murray), um cidadão que está cansado de toda a superficialidade, superpopularidade de reality shows ridículos, apresentadores escandalosos de programas sensacionalistas, fanáticos religiosos que pregam o ódio, a falta de assuntos interessantes em uma roda de amigos ou colegas (que segundo ele só sabem falar sobre as coisas ridículas que assistem na TV) e etc. E pra piorar a filha de Frank é uma "patricinha", bem do tipo que ele odeia.



Em mais um desses dias rotineiros e monótonos, Frank acaba sendo demitido do trabalho porque tentou ser gentil com uma colega e a mesma achou que ele a estava assediando. Como se o seu dia não pudesse ficar pior, ele é diagnosticado com um tumor maligno no cérebro, que não pode ser removido.

"Por que ter uma civilização se não queremos ser civilizados?"

Prestes a cometer suicídio, Frank acaba tendo uma ideia enquanto assiste a um reality show de uma garota rica e extremamente patricinha, que ao ganhar um carro de seu pai tem um ataque de raiva porque este não era o modelo que ela queria. Frank pega sua arma e vai até o colégio onde essa garota estuda e a mata com um tiro em sua cabeça dentro do carro que ela ganhou de presente. Após o ocorrido ele acaba conhecendo Roxie, uma garota que assim como ele estava cansada de toda essa futilidade das pessoas. Roxie acaba dizendo para Frank que eles deveriam começar a caçar e matar esse tipo de pessoa, e ele acaba concordando.


"Esse é o problema de sua geração, não conseguem gostar de nada que não esteja gravado. Você estava lá, você viveu aquilo. Isso não é suficiente? Da próxima vez que você quiser se lembrar de algo, ao invés de pegar seu celular, tire uma foto com a câmera do seu cérebro."

O filme conta com uma temática bem interessante e original, pois além de ter bastante humor negro, suas críticas são muito bem construídas. Claro que este não é um filme para o grande público (em nosso país nem teve divulgação), afinal a maior parte da população se encaixa no tipo de pessoa que o filme critica. Recomendadíssimo.

4 comentários:

  1. Esse filme é muito bom.Mas eu discordo sobre essa coisa de assistir ou não big brother ou qualquer tipo de "reality show".
    Ninguem precisa ser engajado ou intelectual o tempo todo, muito menos fútil e superficial.

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  2. Acho que hoje existe mais espaço para tudo, até para superficialidades. Penso que cada um deve viver sua vida da melhor forma procurando respeitar o espaço do próximo.

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    1. Com certeza, mas a matéria foi feita mantendo o ponto de vista do público alvo do filme. E citamos o ponto de vista de Frank. Respeitamos os gostos pessoais das pessoas, mas sa vezes também iremos dar as nossas opiniões sobre os assuntos abordados (o que não foi o caso dessa matéria). Obrigado pelo comentário =D

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